quarta-feira, 15 de agosto de 2012
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Política e politicalha
A política afina o espírito humano, educa
os povos, desenvolve nos indivíduos a atividade, a coragem, a nobreza, a
previsão, a energia, cria, apura, eleva o merecimento.
Não é esse jogo da intriga, da inveja e
da incapacidade, que entre nós se deu a alcunha de politicagem. Esta palavra
não traduz ainda todo o desprezo do objeto significado. Não há dúvida de que
rima bem com criadagem e parolagem, afilhadagem e ladroagem. Mas não tem o
mesmo vigor de expressão que os seus consoantes. Quem lhe dará o batismo
adequado? Politiquice? Politiquismo? Politicaria? Politicalha? Neste último,
sim, o sufixo pejorativo queima como ferrete, e desperta ao ouvido uma
consonância elucidativa.
Política e politicalha não se confundem,
não se parecem, não se relacionam uma com a outra. Antes se negam, se excluem,
se repulsam mutuamente. A política é a arte de gerir o Estado, segundo
princípios definidos, regras morais, leis escritas, ou tradições respeitáveis.
A politicalha é a indústria de explorar o
benefício de interesses pessoais. Constitui a política uma função, ou um
conjunto de funções do organismo nacional: é o exercício normal das forças de
uma nação consciente e senhora de si. A politicalha, pelo contrário, é o
envenenamento crônico dos povos negligentes e viciosos pela contaminação de
parasitas inexoráveis. A política é a higiene dos países moralmente sadios. A
politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada.
Trechos escolhidos de Rui Barbosa. Edições de Ouro:
Rio de Janeiro, 1964.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Os sistemas estaduais de ensino gastam em média R$ 1,7 mil/ano com os jovens do Ensino Médio. Um jovem em uma instituição como a Fundação Casa custa R$ 1,7 mil/mês. Então ele fica 12 vezes mais caro quando vai para o sistema prisional.
ECONOMIA
Wanda Engel: "O Ensino Médio é uma
bomba-relógio"
Para a
superintendente-executiva do Instituto Unibanco, os altos índices de evasão
causam uma perda de capital humano para o Brasil - Wanda Engel está à frente do
Instituto Unibanco desde 2006.
Ela não se
cansa de dizer que o Ensino Médio no Brasil é uma "bomba-relógio". Na
entrevista concedida ao Educar para Crescer, a superintendente-executiva do
Instituto Unibanco, Wanda Engel, repetiu a expressão ao menos cinco vezes.
"É uma bomba-relógio econômica e social. Econômica porque está causando um
apagão de mão-de-obra. E é uma bomba-relógio social porque essa juventude que
não tem condições de ser incluída pode virar um elemento de aumento de
violência", explica a doutora e mestre em Educação.
Desde 2006,
Wanda está à frente do Instituto, que tem como seu foco principal justamente a
melhoria do Ensino Médio público, considerado estratégico tanto para a formação
e inserção das novas gerações no mercado de trabalho quanto para a diminuição
da pobreza e da desigualdade e para o desenvolvimento sustentável do país.
Entre os
projetos do Instituto, destacam-se o Jovem de Futuro, que oferece apoio técnico
e financeiro às escolas que aderirem ao desafio de atingir metas estabelecidas,
e o Entre Jovens, que dá reforço escolar a alunos da primeira série do Ensino
Médio de escolas públicas de Ensino Médio, por meio de um programa de tutoria.
Wanda, que
foi ministra de Estado de Assistência Social entre 1999 e 2002, fala aqui sobre
a crise de audiência do Ensino Médio no Brasil. Para ela, parte da sociedade
ainda não percebeu a importância de finalizar a Educação básica. "Apenas
50% dos jovens que deveriam estar no Ensino Médio realmente estão. Esse índice
só seria aceitável em uma sociedade industrial ou agrícola."
Quais são os desafios do Ensino Médio hoje
no Brasil?
O maior
desafio é fazer as pessoas se darem conta da importância do Ensino Médio.
Talvez a sociedade não tenha se dado conta, o jovem não tenha se dado conta, a
família do jovem não tenha se dado conta da importância de a juventude do país
acessar e terminar o Ensino Médio. De preferência, aprendendo. O ensino médio
hoje é uma bomba-relógio.
Por que a sociedade não percebe a
importância do Ensino Médio?
Porque a
expansão do Ensino Médio é muito recente. Então, se você for analisar a
situação, parece legal. Antigamente nem 15% dos jovens estavam no Ensino Médio,
agora 50% estão. Provavelmente esse jovem vai ser o primeiro membro da família
a acessar o Ensino Médio ou chegar perto dele. Parece um filme legal. Só que
esse filme poderia ser aceitável numa sociedade industrial ou numa sociedade
agrícola, num país com outro nível de desenvolvimento. Para o Brasil, que
está entrando na chamada sociedade do conhecimento, isso é uma péssima notícia.
As pessoas não se deram conta de que, para encontrar um emprego digno hoje, é
preciso ter Ensino Médio. Quem não tem só consegue subemprego ou emprego no
mercado marginal.
O que você quer dizer quando fala em
bomba-relógio?
O jovem que
abandona o Ensino Médio deixa de ser cliente das políticas de Educação e passa
a ser cliente das políticas de assistência. Vai ser beneficiário do
Bolsa-Família ou das políticas de segurança pública. Vai ser o beneficiário do
sistema prisional brasileiro. Os sistemas estaduais de ensino gastam em média
R$ 1,7 mil/ano com os jovens do Ensino Médio. Um jovem em uma instituição como
a Fundação Casa custa R$ 1,7 mil/mês. Então ele fica 12 vezes mais caro quando
vai para o sistema prisional.
Então é uma bomba-relógio para a economia
do país?
Econômica e
social. Econômica porque está causando um apagão da mão-de-obra. E é uma
bomba-relógio social porque essa juventude que não tem condições de ser
incluída pode virar um elemento de aumento de violência, de aumento de
atividades marginais.
E os jovens que entram no Ensino Médio, mas
não conseguem concluí-lo?
A
bomba-relógio se completa com o fato de que, dos que entram, metade morre na
praia. E essa metade que morre na praia vai ser a maior vítima do desemprego.
Tem mais desemprego nesse grupo do que no grupo de quem fez até as quatro
primeiras séries do Ensino Fundamental. Porque quem chegou até o Ensino Médio
não aceita qualquer emprego. Já o país deixa de usufruir da produção dessa
enorme quantidade de jovens, que poderia ser uma riqueza para o país. Se todos
esses jovens começassem a produzir no mercado de trabalho, esse país
explodiria. Explodiria para o bem. Nós estamos perdendo capital humano.
Qual é o resultado dessa perda de capital
humano?
O Brasil vai
perdendo competitividade à medida que a sua população economicamente ativa não
tem esse nível de escolaridade. E hoje essa perda de competitividade já começa
a aparecer em algumas regiões do Brasil em que a oferta de emprego já é maior
do que o número de jovens com condições de chegar a esse emprego. É o apagão de
mão-de-obra. O país perde competitividade internacional e o jovem perde a
oportunidade de ser inserido.
Como atacar esse problema?
Acesso,
permanência e conclusão do Ensino Médio. Isso pode aumentar a inserção dos jovens
e pode ser o elemento de quebra do ciclo inter-geracional de pobreza. A pobreza
é um fenômeno que se produz e se reproduz. O único instrumento para cortar isso
é a Educação. E, na Educação, o instrumento mais eficaz é a conclusão do Ensino
Médio.
Por que os jovens estão abandonando o
Ensino Médio?
É uma grande
pergunta. Uma pesquisa revelou que 27% abandonam por necessidades econômicas e
40% por falta de interesse. Uma pequena parcela abandona por falta de acesso.
Como resolver a evasão?
Para cada um
dos motivos apontados, tem um remédio. Para o problema da falta de condições
econômicas, uma possibilidade já existe é a inclusão do jovem no Bolsa-Família.
Em 2007, o programa foi estendido para jovens de 15 a 17 anos e os dados
mostram que já houve um aumento do número de jovens nessa faixa etária que está
na escola. O problema é que o dinheiro do Bolsa-Família, como o próprio nome
diz, vai para a família. Poderíamos pensar em alternativas para o dinheiro ir
para o jovem. Poderíamos ter um grande programa de monitoria, como existe na
universidade. O jovem é monitor de um professor, ganha um dinheirinho e
trabalha na própria universidade. O programa de monitoria no Ensino Médio
poderia ser muito legal. O jovem poderia ganhar R$ 100, o que já faz a maior
diferença. Às vezes ele larga a escola para trabalhar por um salário de R$ 100.
O Programa Jovem Aprendiz não seria uma
alternativa também?
Sim. O
programa é uma grande janela de oportunidade, que as pessoas não estão
utilizando. O Jovem Aprendiz poderia ser um instrumento fantástico de
diminuição de evasão. As empresas não gostam do programa, pois acham que é só
cumprimento de cota, quando ele poderia ser uma forma de responsabilidade
social, uma forma de contribuir para esse jovem permanecer na escola.
Trabalhar nessa idade não atrapalha os
estudos?
Como o jovem
do Ensino Médio está justamente nesse momento de entrada na idade adulta - e
entrar na idade adulta é entrar no mercado de trabalho -, quanto mais ele
conseguir perceber o nexo entre Educação e trabalho, mais as coisas fazem
sentido para ele. Hoje apenas 10% do Ensino Médio é profissionalizante. Não
podemos querer que seja 100% profissionalizante, mas algum nexo entre Educação
e trabalho, é preciso ter. Esse nexo pode ser uma monitoria, em que ele
trabalha dentro da escola, ou um Jovem Aprendiz, em que ele trabalha fora da
escola. Mas o importante é eu sejam no máximo quatro horas diárias de trabalho.
E o que causa a falta de interesse do jovem
pela escola?
Pode ser
falta de condições acadêmicas. Ele não aprendeu nem fração e vão tentar ensinar
para ele física e química. Ele acha que aquilo não é para ele e vai embora.
Pode ser o fato de a escola estar preparando para a universidade. E muitos
sabem que não vão para a universidade. Então o currículo da escola está
totalmente fora da realidade dele. Pode ser que a escola seja uma porcaria
mesmo. Ou pode ser que ele tenha perdido a perspectiva de futuro. A escola pode
ser ótima, mas ele perdeu isso. A violência, somada à pobreza, acaba matando o
sonho de futuro desses jovens. Cada uma dessas quatro coisas precisa de um
remédio específico.
E quais seriam os remédios para a evasão?
Para a falta
de condições, é preciso melhorar o Ensino Fundamental ou dar um reforço para o
aluno ao final dessa fase. Trabalhamos isso no Entre Jovens, que dá conta do
prejuízo no 1º ano do Ensino Médio.
Para a questão curricular, é preciso fazer um currículo mais flexível, que permita que o aluno direcione os estudos para uma área da qual ele gosta mais. A qualidade da escola é uma coisa mais complexa, que nós estamos tentando resolver com o Jovem de Futuro. E como reconstruir a ideia de futuro com esse jovem? Também estamos trabalhando um pouco nesse sentido. Criamos um kit de material didático que se chama Construindo o Futuro. Ele é parte do livro de um livro do Eduardo Gianetti, O Valor do Amanhã, para tentar mostrar para esse jovem que ele tem futuro. Também temos uma publicação chamada Convivência Cidadã, que tem o objetivo de tentar melhorar um pouco o clima da escola, que hoje é baseado na discriminação. Quem é um pouco fora do padrão sofre com o bullying e com a violência.
Para a questão curricular, é preciso fazer um currículo mais flexível, que permita que o aluno direcione os estudos para uma área da qual ele gosta mais. A qualidade da escola é uma coisa mais complexa, que nós estamos tentando resolver com o Jovem de Futuro. E como reconstruir a ideia de futuro com esse jovem? Também estamos trabalhando um pouco nesse sentido. Criamos um kit de material didático que se chama Construindo o Futuro. Ele é parte do livro de um livro do Eduardo Gianetti, O Valor do Amanhã, para tentar mostrar para esse jovem que ele tem futuro. Também temos uma publicação chamada Convivência Cidadã, que tem o objetivo de tentar melhorar um pouco o clima da escola, que hoje é baseado na discriminação. Quem é um pouco fora do padrão sofre com o bullying e com a violência.
O clima da escola também contribui para a
perda de interesse?
É claro que
sim. Está dentro da questão da qualidade da escola. Tem vários fatores que
influenciam na qualidade da escola: professor que vai, aluno que vai, professor
que ensina, aluno que aprende e um clima favorável. Essas são as qualidades de
uma escola. Um clima favorável a que o professor frequente, a que o aluno
frequente, a que um ensine e outro aprenda. O clima é fundamental.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Governo federal anuncia construção de mais 19 creches no Alto Tietê. Quantas vão ser construídas em Suzano?
Governo federal anuncia construção de mais 19 creches no Alto Tietê
Diário de Suzano ed.: 9203 - 16 de maio de 2012
O Ministério da Educação confirmou a construção de mais 19 creches no Alto Tietê. A ação faz parte do programa Brasil Carinhoso, lançado na última segunda-feira, pela presidente Dilma Rousseff (PT). Três cidades da região serão beneficiadas. Mogi das Cruzes ganhará 12 unidades, Itaquaquecetuba, cinco; e, Ferraz duas creches.
Na execução do programa, o governo federal libera os recursos de forma progressiva - 30% no momento da licitação, mais 50% no início da obra. Quando 80% das obras estão concluídas, são destinadas verbas para a aquisição do mobiliário escolar.
À Prefeitura cabe oferecer o terreno. Para uma escola que atenda 240 crianças, o local deve ter dimensão mínima de 40 por 70 metros quadrados; para atender 120 crianças, as medidas devem ser de 45 por 35 metros quadrados. A transferência de recursos para a execução de projeto aprovado na segunda etapa Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) ocorre por meio de termo de compromisso assinado pelos prefeitos.
O chefe do Executivo de Mogi das Cruzes, Marco Bertaiolli (PSD), que assinou o contrato da creche no evento fez um parâmetro de quantas unidades a Prefeitura pretende inaugurar. "Com as 40 creches que vamos entregar até o começo do próximo semestre, Mogi das Cruzes chegará a 65 novas creches, o que significará praticamente uma unidade em cada bairro, atendendo a toda a demanda", destaca.
Na execução do programa, o governo federal libera os recursos de forma progressiva - 30% no momento da licitação, mais 50% no início da obra. Quando 80% das obras estão concluídas, são destinadas verbas para a aquisição do mobiliário escolar.
À Prefeitura cabe oferecer o terreno. Para uma escola que atenda 240 crianças, o local deve ter dimensão mínima de 40 por 70 metros quadrados; para atender 120 crianças, as medidas devem ser de 45 por 35 metros quadrados. A transferência de recursos para a execução de projeto aprovado na segunda etapa Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) ocorre por meio de termo de compromisso assinado pelos prefeitos.
O chefe do Executivo de Mogi das Cruzes, Marco Bertaiolli (PSD), que assinou o contrato da creche no evento fez um parâmetro de quantas unidades a Prefeitura pretende inaugurar. "Com as 40 creches que vamos entregar até o começo do próximo semestre, Mogi das Cruzes chegará a 65 novas creches, o que significará praticamente uma unidade em cada bairro, atendendo a toda a demanda", destaca.
PROJETOS O governo federal oferece dois tipos de projetos arquitetônicos para a construção das creches. Um deles é o de uma escola com capacidade de atendimento para 240 crianças com até 5 anos, em dois turnos, ou 120 crianças, em turno integral. O projeto conta com oito salas pedagógicas, sala de informática, secretaria, pátio coberto, cozinha, refeitório, sanitário e fraldário, entre outros ambientes.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Por que estudar FILOSOFIA?
“Porque pelo estudo da Filosofia, o estudante vai penetrar na natureza da realidade e da significação dos seus códigos, vai compreender as condições efetivas da construção do ser histórico, vai penetrar criticamente no mundo do conhecimento e em toda a sua estrutura axiológica e vai, por fim, equipar-se de instrumental ético imprescindível para o estabelecimento das possibilidades e dos limites humanos” (CARNEIRO, 2009, p 120)
sexta-feira, 27 de abril de 2012
O pior dos males: a inveja
Assim como podemos afirmar que a mãe de
todos os vícios é a preguiça e a das virtudes é à vontade, podemos,
seguramente, afirmar que a fofoca é filha da inveja! E por quê? Tenha
paciência. A resposta você encontrará no interior deste escrito.
1 - O
conceito de inveja a partir de sua etimologia
Como já lhe escrevi em outro artigo o
prefixo in que aparece em muitas palavras da nossa língua portuguesa, indica um
movimento que vai de fora para dentro. Contudo, em algumas palavras o sentido é
de negação. Um exemplo apenas: indiscutível, ou seja, que acerca de tal
proposição, não há mais como discutir.
No caso do conceito da inveja que é o
objeto de reflexão deste artigo, novamente o sentido vem ao encontro do que lhe
escrevi no artigo sobre virtude e vício. Razão pela qual estamos novamente
diante de uma palavra de origem latina. Inveja vem de invídia. IN = dentro e
VIDIA = ver. Significando precisamente o seguinte: vontade de não ver o que
está “dentro” do outro.
Desse modo o invejoso é aquele que não
quer apenas o que o outro tem. Ele deseja destruir o que o outro tem, e que
somente ele tenha o que o outro conquistou. Mais adiante isso vai ficar mais
claro. Agora lhe convido a ler o tópico a seguir e ver o quanto ele se aplica
no seu cotidiano.
2 - A origem
das palavras concórdia e discórdia e sua imbricação com a inveja.
Na verdade essas três palavras remontam
a mitologia romana. Antes uma informação importante. Até o cristianismo
tornar-se a religião oficial do Império Romano no Séc. IV havia um deus para
cada situação. É por essa razão que dizemos que eles eram politeístas.
Quando as pessoas viviam em harmonia,
diziam que a deusa Concórdia era a que reinava. Desse modo COM = junto à, COR =
coração e IA = estudo. Tradução: estudo acerca dos corações que se aproximam.
A deusa da inveja recebia o nome de
Discórdia. Os cabelos dela eram todos em forma de cobra. Em uma de suas mãos
ela tinha uma cobra e na outra uma espada. Por que razão será? Então: DIS =
“QUE SEPARA” e CORDIA? Esse sufixo você já sabe.
É por esta
razão que existem inúmeras palavras em nossa língua portuguesa que derivam
dessas duas. Apenas algumas para exemplificar: contrato = que está tratado com;
distrato = quanto há a separação do que foi tratado; Eu concordo com você = no
sentido que o meu coração se aproximou de ti; eu discordo de você = indicando
que nossos corações (neste caso opiniões) se distanciaram. Sugiro que antes de
continuar a leitura você tente lembrar-se de outras.
Você sabia
que não havia nenhum templo erguido na Roma antiga para a deusa Discórdia?
Certamente é porque os romanos sabiam que esse tipo de sentimento, que ainda
existem em nossos dias, era um grande mal.
3 - A
compreensão do que é a inveja a partir do tema das Paixões em Espinosa
(1632-1677)
Para Bach Espinosa as paixões são
afecções, vibrações que o nosso CONATUS sente. E o que é o conatus para ele? É
uma força intrínseca a todos os seres que nos chama para a vida. É a nossa luta
pela existência. Todos os seres tem conatus. Ninguém deseja conscientemente
morrer. Freud dizia que no inconsciente não havia o desejo da morte.
Ele dividiu as paixões em dois grandes
grupos: as da alegria que chamou também de paixões fortes e as da tristeza.
Também conhecidas como paixões fracas porque uma vez existindo em nós,
enfraquecerão o nosso conatus.
As paixões são exteriores. Elas,
portanto, vem de fora para dentro. Em última instância o que é a inveja?
Imaginemos a seguinte situação: eu desejo muito um carro novo e que o mesmo
seja vermelho. A cor do meu glorioso Internacional de Porto Alegre. Então em um
belo dia eu sou convidado a ir ao casamento do meu irmão. Lá chegando, me
deparo com um Fiat Uno vermelho. Pergunto para um dos meus irmãos: de quem é?
Ele me diz: da sua irmã fulana de tal. Se o meu conatus começar a ter uma
espécie de calafrios e ficar todo incomodado com aquela situação e disser ao
irmão: - “só pode ter comprado em prestação. Quero ver como eles vão conseguir
pagar tais prestações”! Ponto! Sinais de evidência que a inveja tomou conta de
mim.
Você já observou que geralmente nós
escolhemos um parente para falar mal? Todas as famílias com as quais convivi,
percebi que em alguns dos seus atores havia e há um forte sentimento de inveja
em face de outros membros dessa mesma família.
Notoriamente,
estou cônscio que a melhor maneira de se perder um argumento é generalizá-lo.
Por isso insisto: a inveja não está presente em todos os membros de todas as
famílias, mas de todas as que eu conheço, eu não vi uma, cujo sentimento de
inveja esteja totalmente ausente.
4 - Os
efeitos colaterais da inveja
Por que eu
afirmei no título deste artigo que a inveja é o pior dos males? Porque a partir
das minhas vivências com diferentes atores sociais e ouvindo pessoas na clínica
(sou filósofo clínico), pude perceber que muitas que estavam com seu conatus
enfraquecido, a causa principal era a inveja que elas sofriam de outras pessoas
cuja capacidade de resistência era menor.
Você já percebeu que muitos que
criticam de forma veemente o Lula é porque têm inveja? Não estou dizendo que
ele esteja livre das mesmas. Eu mesmo
fiquei muito triste com ele essa semana. Assim que melhorou do seu câncer na
garganta não mencionou nada sobre o vício que causou esse mal a ele. Foi o
cigarro. Melhor dizendo: o charuto. Poderá ser um dos melhores garotos
propaganda contra o tabagismo. Creio que ele ainda falará algo aos jovens a
esse respeito. O fato é há muitos políticos que não se conformam. Como pode um
“petrúquio” como o Lula, que não tem diploma de curso superior, pudesse se
tornar o que é hoje.
Por isso que
se diz que a inveja mata. O primeiro a
sentir os efeitos colaterais da inveja, é o próprio invejoso. A pessoa que é invejosa
acaba gerando nela mesma a mágoa. Para o Espinosa é a má-água. A pessoa fica
remoendo esse sentimento. Tenta a todo custo prejudicar aquele que é a causa de
sua inveja.
Aquele que é
invejado por sua vez, se não tiver uma espiritualidade forte. Se não conseguir
“fechar o seu corpo” diante da inveja do outro, perceberá que seu conatus
também de enfraquecerá.
5 – A fofoca
como filha da inveja
O que é a fofoca? No meu entendimento a
mesma se caracteriza por ser uma comunicação não dialógica. Ela nasce da “rádio
corredor” ou “radio cipó”. O invejoso por não se conformar que só o outro tem o
que ele tanto deseja, começa a espalhar maledicências a respeito da vida do
outro. Assim, as informações distorcidas vão se espalhando e o clima nas organizações,
muitas vezes, fica péssimo.
Como combater a fofoca? Pela ação
comunicativa dialógica. Habermas que é o último pensador vivo da chamada Teoria
Critica – também conhecida com Escola de Frankfurt - nos deixa esse legado.
Qual? Se desejarmos resolver os problemas entre nós sem o uso da violência, o
face a face é o melhor caminho. Pelo diálogo autêntico poderemos resolver os
conflitos provocados pela filha da inveja, qual seja a fofoca. Tenho clareza
que há mais coisas a serem ditas, mas que o espaço aqui não permite neste
momento.
6 - Como se
proteger do invejoso
A primeira
coisa que eu sugiro é que você faça o que Jesus nos sugeriu. O quê? Dê a ele a
outra face. E o que isso significa? Não retribua com a mesma moeda. Se você
puder coloque-se ao lado dessa pessoa para ajuda-lá a conquistar o que você já
tem e que é a causa da inveja dela.
Se você perceber que não há como ajudar,
fique longe dessa pessoa. Procure amigas e amigos que fortaleçam o seu conatus.
Procurem não ficar exibindo suas conquistas.
Eu sempre
falo o seguinte para as minhas educandas e educandos: - “se você está
conseguindo dar uma “brincada” com alguém, não fale nada para ninguém. Se você
ficar contando, muitos que estão no
“jejum”, que estão com um “calorão”, terão inveja de você”. Então por que fazer
os outros sofrerem? É melhor ficar calado. Neste caso o que os ouvidos não
ouvem o coração também não sente.
7 - A teoria
do ato e potência para compreender o fenômeno da inveja
O grande desafio é fazermos com que a inveja
só exista apenas em potência em cada um de nós.
Não sejamos
hipócritas em pensar que a inveja só existe no coração dos outros. Há pessoas
que me dizem: - “eu nunca tive inveja de ninguém”! A minha resposta: “menos”,
“menos”!
Eu mesmo já fui muito mais invejoso do
que sou hoje. Posso lhe assegurar que a mesma está sob controle...rs! Nos raros
momentos que eu me dou conta que meu conatus começa sofrer com afecções,
vibrações que indicam a presença da inveja, começo a rezar e me concentro em pensar
com um sentimento de admiração pelas conquistas dos outros.
Procuro me
alegrar e celebrar com ele a respeito de suas vitórias. Assim ela passa e eu
sofro menos. É melhor termos a sabedoria por perto. Os bons exemplos dos outros
poderão evitar futuros sofrimentos meus.
Portanto, no meu entendimento é bom
administrarmos esse sentimento, afim de que o mesmo só exista em potência e
nunca em ato. Espinosa foi um racionalista no sentido de que é possível nós
compreendermos racionalmente quais as causas dos males que nos aflige e assim
poderemos substituí-los por paixões da alegria. Exemplo: substituirmos a inveja
pela admiração.
8 - O que
ainda pretendo escrever sobre esse tema:
· A inveja no ambiente de trabalho,
principalmente entre os servidores públicos;
· Porque muitos que vão à igreja
assiduamente são tão invejosos;
· As imbricações entre nosso lado saphiens
e nosso lado demens com a inveja;
· E por fim, mas não por último, escrever
sobre as dores existenciais provocadas pela inveja.
Espero ter
contribuído com sua formação e faço votos que você permaneça jovem a maior
quantidade de dias possíveis.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
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