domingo, 23 de março de 2014

CONTEÚDOS DAS SITUAÇÕES 3 e 4 - 3ª SÉRIE - 1º BIMESTRE - AVALIAÇÃO 2

SITUAÇÃO 3 A CONDIÇÃO ANIMAL COMO PONTO INICIAL NO PROCESSO DE COMPREENSÃO SOBRE O HOMEM O objetivo do tema é dar início à reflexão sobre os seres humanos, destacando a importância de admitir sua condição de animal dotado de um corpo que o aproxima e o distingue dos demais seres do planeta. Admitir essa aproximação e essa distinção requer esforço típico da reflexão filosófica, indubitavelmente necessária para a formação ética e para a construção da convivência humana solidária. Afinal, uma das perguntas centrais da Filosofia é exatamente: Quem somos nós, seres humanos? E ainda: Qual é a nossa condição de transformar o mundo em que vivemos em um lugar melhor? Vamos iniciar esta reflexão por aquilo que o nosso olhar constata de imediato quando mira um ser humano e a si mesmo, ou seja, começaremos pela evidência de que temos um corpo. E esse corpo nos remete, antes de tudo, ao lugar dos animais. As primeiras perguntas em nossa reflexão filosófica são: Que espécie de animal nós somos? O que nos caracteriza? O que nos marca como animais da espécie humana? Assim, o desafio é na perspectiva de pensar, falar, ler e escrever sobre a condição natural do ser humano, suas características corpóreas e suas necessidades físicas, psicológicas e sociais. Com o auxílio dos textos filosóficos, vocês serão motivados a refletir sobre a importância de se conceber aproximações e distinções entre o homem e os demais seres da natureza. O olhar atento e reflexivo sobre a nossa condição animal nos remete a um cenário de disputas de alimento, de território, de machos e de fêmeas. Esse mesmo olhar nos remete, portanto, a um traço fundamental do ser humano, que é a possibilidade de destruição de outros seres na luta pela sobrevivência e na luta por poder e bens que, em um primeiro momento, não estão ao seu alcance. A reflexão filosófica não pode ignorar esse traço constitutivo de nossa realidade e não pode deixar de formular duas perguntas centrais: Como a humanidade construiu sua convivência enfrentando esta disputa? Como é possível uma educação dos homens para garantir sobrevivência em cooperação e solidariedade? Em geral, a Filosofia e as ciências contam com uma vasta literatura que aborda a importância de se distinguir o ser humano dos demais seres da natureza. Já no século XVII, e com mais vigor a partir do século XIX, as ciências se afirmaram como conhecimento capaz de não apenas demonstrar a superioridade humana na natureza, mas de conceber a necessidade de dominar essa mesma natureza, construindo a ideia de que não somos apenas diferentes, mas superiores aos outros seres. Essa consciência pode ter impulsionado todas as maravilhas técnicas e científicas que a humanidade edificou. Mas responde também pela ilusão de que somos capazes de intervir e controlar a natureza sem consequências desastrosas para nós mesmos e para todo o planeta. Uma ideia importante é considerarmos a perspectiva de não nos vermos como seres distintos e superiores, mas distintos e ocupantes de um mesmo contexto material, natural; distintos e responsáveis justamente por sermos seres de consciência, capazes de prever consequências, assumir equívocos e de rever metas contemplando a preservação da própria vida e a de outros seres. Descartes e Pascal nos oferecem dois textos interessantes para inspirar essa consciência sobre nossa inserção em uma natureza material assim como a todos os seres que nos cercam. Ambos foram escritos no século XVII. Meditações E, primeiro, não existe nenhuma dúvida que tudo o que a natureza me ensina contém algo de verdadeiro […]. Ora, não há nada que essa natureza me ensine mais claramente nem mais sensivelmente que o fato de eu ter um corpo que fica indisposto quando sinto dor, que tem necessidade de comer ou de beber quando tenho os sentimentos de fome ou de sede etc. E, portanto, eu não posso absolutamente duvidar que tenha alguma verdade nisso. A natureza me ensina também por meio desses sentimentos de dor, fome, sede etc. que eu não estou apenas alojado em meu corpo como um comandante em seu navio, mas que, além disso, lhe estou muito intimamente conjugado e tão entrelaçado e misturado que componho um único todo com ele. [...] Além disso, a natureza me ensina que vários outros corpos existem em volta do meu, alguns dos quais devo seguir e de outros fugir. DESCARTES, René. Oeuvres philosophiques de Descartes. Adolphe Garnier (Org.). V. 1. Paris: Librairie Classique ET Élémentaire de L. Hacuette, 1835. Disponível em: . Acesso em: 16 out. 2013. Tradução Célia Gambini. O homem perante a natureza A primeira coisa que se oferece ao homem ao contemplar-se a si próprio é seu corpo, isto é, certa parcela de matéria que lhe é peculiar. Mas, para compreender o que ela representa e fixá-la dentro de seus justos limites, precisa compará-la a tudo o que se encontra acima ou abaixo dela. Não se atenha, pois, a olhar para os objetos que o cercam, simplesmente, mas contemple a natureza inteira na sua alta e plena majestade. Considere esta brilhante luz colocada acima dele como uma lâmpada eterna para iluminar o universo, e que a Terra lhe apareça como um ponto na órbita ampla deste astro e maravilhe-se de ver que essa amplitude não passa de um ponto insignificante na rota dos outros astros que se espalham pelo firmamento. E se nossa vista aí se detém, que nossa imaginação não pare; mais rapidamente se cansará ela de conceber, que a natureza de revelar. Todo esse mundo visível é apenas um traço perceptível na amplidão da natureza, que nem sequer nos é dado a conhecer de um modo vago. Por mais que ampliemos as nossas concepções e as projetemos além de espaços imagináveis, concebemos tão somente átomos em comparação com a realidade das coisas. [...] Afinal que é o homem dentro da natureza? Nada, em relação ao infinito; tudo, em relação ao nada; um ponto intermediário entre o tudo e o nada. Infinitamente incapaz de compreender os extremos, tanto o fim das coisas quanto o seu princípio permanecem ocultos num segredo impenetrável, e é-lhe igualmente impossível ver o nada de onde saiu e o infinito que o envolve. PASCAL, Blaise. Parte dois. Pensamentos. Tradução Mario Laranjeira. São Paulo: Martins Fontes, 2005. Após a leitura em silêncio dos dois fragmentos, compare- os. 1. Quais argumentos se aproximam, isto é, nos fazem pensar ideias semelhantes ou iguais? 2. Quais são os argumentos diferentes? O que nos permite dizer que existem diferenças entre os dois textos? Se um texto (Descartes) traz a visão de conflito do homem consigo mesmo, o outro (Pascal) traz a ideia de nossa limitação diante da natureza. Duas condições básicas da existência humana que precisam ser corajosa e filosoficamente enfrentadas para a compreensão do ser humano. Qualquer projeto educacional com vista à preservação da natureza, e com esta à preservação da humanidade, requer conscientização sobre nossos limites e nossas necessidades como seres corpóreos que até o presente momento nada sabem sobre seu início, seu fim e que continuam a destruir-se mutuamente. 1. Quais são as consequências de termos um corpo humano? Em primeiro lugar a necessidade de nos alimentar, de defecar, de promover a higiene do nosso corpo, assim como as possibilidades de manusear e fabricar coisas, e como essas ações, derivadas do fato de termos um corpo, afetam outros corpos dispostos no meio ambiente. 2. Imagine o corpo humano com outras características, diferentes das nossas. E nós, seres humanos, tivéssemos bico no lugar da boca? Ou quatro braços? Enfim, diante das características novas pensadas por você, quais seriam as consequências? Como viveríamos? 3. Como a nossa sociedade atual vem resolvendo os desafios impostos pelo fato de sermos um corpo com possibilidades e limites? Para responder a esta pergunta, vocês podem considerar o contexto social brasileiro. Podem abordar questões sobre mobilidade, saúde, trabalho, lazer e as dificuldades postas para crianças, idosos e deficientes (temporários e permanentes). podem explorar, em seus trabalhos, os preconceitos que têm como ponto de apoio os diferentes corpos, ou mesmo a busca por um padrão ideal de corpo. SITUAÇÃO 4 A LINGUAGEM E A LÍNGUA COMO CARACTERÍSTICAS QUE IDENTIFICAM A ESPÉCIE HUMANA O objetivo do tema é refletir sobre a condição dos seres humanos e suas características fundamentais. Linguagem e palavra. Linguagem é palavra associada aos processos de comunicação entre os seres. Compreendida em um sentido amplo, está presente nas práticas realizadas por todos os animais, incluindo gestos, movimentos, sinais de diversas naturezas, cores, sons; não é, portanto, um processo exclusivamente associado aos seres humanos. Aristóteles, em seu livro A política, anunciou essa especificidade humana afirmando que todos os animais têm vozes, mas somente o homem tem palavra. No currículo do Ensino Médio, as aulas de Arte são espaço importante para a criação e a reflexão de diferentes linguagens da arte. Nesta Situação, focaremos a palavra e a língua como aspectos definidores do ser humano e, também, como condição para a elaboração do discurso filosófico. Analisaremos, então, como temas, a língua como fundadora dos saberes coletivos, a língua como criadora de realidades, e a Filosofia como área privilegiada para o cuidado com as criações da língua, como lugar de reflexão e tratamento da linguagem escrita e falada. Competências e habilidades a serem desenvolvidas: elaborar hipóteses para o enfrentamento de questões relativas aos temas deste volume; refletir sobre a distinção entre linguagem e língua; relacionar pensamento, linguagem e língua; refletir sobre o papel da língua para a produção e preservação de saberes coletivos, bem como para representar o real e imaginar diferentes realidades. Para dar início à nossa reflexão sobre a palavra como um traço fundamental do ser humano com a questão: O que vocês pensam sobre a condição humana? Já tiveram oportunidade de parar para considerar reflexivamente as consequências da palavra para a constituição do ser humano como se apresenta atualmente? Considerem o processo de pensamento como um fenômeno permitido pela palavra. Ainda que não expresso, que não dito, um pensamento é produzido com a articulação de palavras. As palavras articulam-se no contexto de uma língua. Por isto é possível afirmar que não existe pensamento sem a base, sem o suporte de uma língua. A língua e os saberes coletivos A língua, por sua vez, tem seus suportes. A língua falada tem como base física os sons, ou seja, a vibração do ar, e a língua escrita tem sua base na imagem, quer dizer, em um desenho no espaço. Ela também tem uma base física no animal que fala. A língua falada depende de um aparelho fonético bastante sofisticado, e a língua escrita depende de uma mão igualmente sofisticada. Há, ainda, a linguagem de sinais, que tem como base os gestos decorrentes de uma linguagem natural. Todas apresentam características exclusivas da nossa espécie. As línguas falada, escrita e de sinais têm uma base cultural, pois são indissociavelmente ligadas a uma forma de vida, uma cultura determinada. Ao mesmo tempo que a cultura é gerada pela língua, ela também gera a língua. Ao nomear, classificar, categorizar, registrar suas experiências vitais, os seres humanos criam palavras e sintaxes articuladoras de palavras ao contarem histórias de modos particulares de vida. A língua é o “saber coletivo” fundamental de um povo, de uma nação, de uma cultura. É fundamental porque, com a língua, os grupos humanos fundam sua identidade, por meio das palavras que organizam e nomeiam suas para sobrevivência, suas crenças, seus valores, suas artes. Assim como é verdadeira a afirmação de que existem comunicações sem palavras, é verdadeira a impossibilidade de constituição de um agrupamento humano, seja uma tribo, uma cidade ou um país, sem a edificação de saberes coletivos que são planejados, registrados – ainda que na memória da tradição oral – e comunicados pela língua de geração em geração. A língua é o saber coletivo mais bem repartido de um povo ou comunidade. Além disso, é um saber em contínua transformação e crescimento. Todos nós aprendemos a língua constantemente e todos nós ensinamos a língua constantemente. A língua de um povo, portanto, é um instrumento valioso para a sua identidade. Ela é a espinha dorsal de uma sociedade ou cultura. E é por isso que os antropólogos, quando se deparam com uma nação tribal em risco, imediatamente chamam os linguistas para fixarem a língua em uma escrita, na tentativa de não deixá-la morrer. Atividade: em grupos, respondam ao desafio de explicar o significado da palavra “caneta” para um ser extraterrestre que não conhece os objetos da Terra e tampouco as línguas aqui faladas. É importante usarem recursos como mostrar e descrever o objeto, transmitir por meio de gestos a finalidade do objeto, pois é muito provável que o visitante não reconheça ou não conheça nenhuma dessas representações associadas à palavra “caneta”. Nesse caso, ainda que o extraterrestre tenha entendido que se está tentando ensinar para ele uma palavra da nossa língua e, com muito boa vontade, se coloque à disposição para aprender, temos as seguintes possibilidades diante das prováveis soluções para explicar o significado de “caneta”. • Ele pode considerar que se trata de um objeto adorado pelos terráqueos. • Pode achar que a palavra “caneta” seja o ato de apontar alguma coisa. • Ou então, que seja o nome do material de que ela é feita, por exemplo, o plástico. • Ou que é o nome da forma que a caneta tem, por exemplo, um cilindro. • Ou ainda, que seja a maneira de designar um ponto no espaço. • Pode achar também que o que está sendo apontado não é o que está perto do dedo, mas o que se encontra na direção oposta da ponta do dedo. • Ou que “caneta” é o nome de uma dança que consiste em apontar algo e insistir em um mesmo som: “caneta”, “caneta!”, “ca-ne-ta”... As possibilidades de interpretação do extraterrestre são virtualmente infinitas. O certo é que, se no planeta dele houvesse um objeto como uma caneta, um instrumento que lá também serviria para escrever, nesse caso, seria mais provável que ele entendesse o significado da palavra. Com essa hipótese, concluímos: • O significado de uma palavra não é dado pela observação do objeto em termos de suas linhas, suas cores, seu material; • O significado de uma palavra depende da familiaridade que temos com certos objetos, conceitos, gestos e maneiras de falar; • A língua está muito mais ligada a uma forma de vida do que à operação de representar objetos ou experiências por meio de sons ou da escrita. Pensamos, falamos, lemos e escrevemos as palavras que herdamos como seres nascidos em tempo e espaço determinados, em meio a saberes coletivos já consolidados. Herdamos a língua com as palavras já enredadas em significados. É com essas palavras, com essa herança que é a língua, que abarca os saberes coletivos de nosso grupo cultural e o universo de significados por ele produzidos, que construímos nossa arte, nossa expressão escrita e falada, nosso modo de ler e dizer o mundo. A língua como criadora de realidades Outra característica importante do ser humano que é permitida pela linguagem pode ser encontrada na capacidade de sair do presente e da presença do que é visto para lançar-se ao passado, ao futuro e a mundos nunca visitados. Aliadas à faculdade da memória, a língua e a linguagem nos trazem registros do passado; e aliadas à nossa capacidade imaginativa, nos projetam para o futuro. Passado e futuro só existem por causa da linguagem e da palavra. A característica virtual da linguagem e da língua permite essa fuga para lugares não existentes. Tal virtualidade permite, ainda, que pensemos em objetos que não estão presentes e sobre experiências que não são nossas. Com a linguagem e a língua, representamos o mundo, imaginamos outras formas de viver e elaboramos saberes coletivos que herdamos e transmitimos para gerações que nos sucedem. Para a reflexão sobre esse papel da língua, proponho um desafio: mantenham os olhos fechados durante 30 segundos. Quem será capaz de fazer isso? Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais, rugiam raivosamente 5 mil soldados. Agora, respondam: o que vocês imaginaram quando eu fiz a leitura do texto: • Como era o velho? Ele usava chapéu? • E como eram os dois homens feitos? • E a criança, era menino ou menina? • E os 5 mil soldados? Eram soldados da polícia? Do Exército? De que época? • Onde a cena imaginada se passou? Na cidade, no campo? Fazia calor? Fazia frio? • Alguém se perguntou por que 5 mil soldados para enfrentar quatro pessoas? • Alguém interpretou em que circunstâncias esse fato teria ocorrido? • Alguém ficou com pena daquelas quatro pessoas? • Alguém ficou indignado com a desproporção entre as quatro pessoas e os 5 mil soldados? Justifiquem suas interpretações e as discutam entre si. Com certeza, as interpretações foram diferentes para cada cena descrita. E isso mostra a força da imaginação pessoal na compreensão do que é descrito ou narrado, e como ela ocorre de maneira aparentemente automática, sem identificarmos os motivos desta ou daquela associação de ideias. A linguagem é isto: um processo que permite a criação de fatos na mente das pessoas. Permite a criação de imagens, de ideias, de acontecimentos, de emoções, de julgamentos e, até mesmo, de todos esses aspectos simultaneamente, seja na reflexão que cada um de nós faz consigo mesmo, seja no ato da expressão e comunicação entre diferentes indivíduos, em sociedade. A Filosofia como o cuidado com as criações da palavra Até o momento, vimos que o homem é um ser de linguagem assim como os outros animais, mas que em sua linguagem há uma especificidade que o distingue e que se chama “palavra”. A palavra relaciona-se ao pensamento, criando-o e sendo criada por ele. Vimos que as palavras se articulam na língua de forma a descrever e nomear as coisas do mundo, mas não somente isso. A língua é um processo bastante complexo, associado às ações humanas, ao que os seres humanos fazem para sobreviver, mas, sobretudo, é um processo que permite a construção de significados ou de saberes coletivos como a ciência, a religião, a técnica, a tecnologia, a arte. Vimos que linguagem e língua permitem, ainda, que o ser humano ocupe um lugar imaginário, escapando do mundo tal como se mostra. E a Filosofia? Também resulta da capacidade humana de criar a língua e é criada por essa capacidade reciprocamente. Os conceitos filosóficos e os modos de sua enunciação nada mais são do que o resultado de uma depuração do uso comum de uma língua. Esse processo pode ocorrer deliberadamente e resultar na criação de um sistema filosófico, como quando, por exemplo, um filósofo se debruça sobre noções morais encontradas no senso comum para examinar se estão corretamente formuladas ou não, como fez Kant em sua obra Fundamentação da metafísica dos costumes (1784). Pode ser também que um filósofo se sirva da linguagem comum para expressar concepções inusitadas, valendo-se, para tanto, do recurso a um estilo particular, como Rousseau, no Discurso sobre os fundamentos e a origem da desigualdade entre os homens (1756), obra que pretende demonstrar uma verdade que poucos perceberam, por meio de uma linguagem que todos conhecem, moldada por um estilo elevado e comovente. Por fim, frequentemente acontece de a própria linguagem comum embutir conceitos e raciocínios filosóficos de maneira irrefletida, que ali se encontram pelo acúmulo de experiências dos diferentes usuários da língua ao longo do tempo. Encontramos exemplos abundantes disso na maneira como são utilizadas as definições de nomes, ou como são estabelecidas as relações entre sujeito e predicado, na atribuição dos gêneros, nas flexões e declinações, em praticamente todas as operações gramaticais. Toda língua tem regras, é como um sistema, e funciona como uma espécie de reflexão sobre si mesma, ou seja, sobre a sua própria capacidade de enunciação. Isso mostra que há muito em comum entre o uso de uma língua e o pensamento filosófico. É curioso notar que o sentido e o significado são transmitidos, nas línguas, pela expressividade dos sons, e que, portanto, o que a língua pensa, ou permite pensar, quando a falamos ou a ouvimos, é comunicado pela sensibilidade e tem efeito direto nesta. Após a leitura do texto, respondam as seguintes questões: 1. Qual é a diferença entre língua e linguagem? 2. Por que é possível afirmar que a grande distinção entre os homens e os demais animais é a língua e não a linguagem? 3. Quais são as experiências dos seres humanos cuja realização só é possível por meio da língua, da palavra? 4. Por que é possível dizer que a palavra – a língua – cria realidades, cria mundos que não existem? 5. Com base na leitura dos textos, escreva um texto argumentativo tendo como base o seguinte tema: “Linguagem e língua são senhas para entrar no mundo humano”.

terça-feira, 18 de março de 2014

CONTEÚDOS DAS SITUAÇÕES 3 e 4 - 2ª SÉRIE - 1º BIMESTRE - AVALIAÇÃO 2

SITUAÇÃO 3 A LIBERDADE - JEAN-PAUL SARTRE - (1905-1980)1. O existencialismo de Sartre (RAÍZES:fenomenologia de Husserl e em 'Ser e Tempo' de Heidegger ) O existencialismo sartriano procura explicar os aspectos da experiência humana. Sistematizada em dois livros: "O ser e o nada" e "Crítica da razão dialética”. 2. VIDA É ENTENDIDA COMO UM PROJETO QUE SE REALIZA PELAS ESCOLHAS 3. 4. O Em-si (fenomenologia e o existencialismo) O mundo é povoado de seres Em-si . São objetos existente no mundo e que possui uma essência definida . Uma caneta, por exemplo, é um objeto criado para suprir uma necessidade: a escrita. 5. 6. Um ser Em-si não tem potencialidades nem consciência de si ou do mundo. Ele apenas é . Os objetos do mundo apresentam-se à consciência humana através das suas manifestações físicas ( fenómenos ). 7. 8. O Para-si A consciência humana é um ser com forma diferente, possui conhecimento de si e do mundo. É o Para-si faz relações temporais e funcionais entre os seres Em-si e ao fazer isso constrói um sentido para o mundo em que vive. 9. 10. O Para-si não tem uma essência definida. Ele não é resultado de uma idéia pré-existente . Diferente dos seres em-si que possuem essencia definida 11. O existencialismo sartriano é ateu, não admite a existência de um criador que tenha predeterminado a essência e os fins de cada pessoa. 12. 13. Durante sua existência o Para-si define, a cada momento (escolha), o que é sua essência. 14. 15. A CONDIÇÃO HUMANA “ CADA UM É DETERMINADO PELO AMBIENTE E PELAS CIRCUNSTANCIAS” “ ... Mas tenho liberdade de mudar minha vida deste momento em diante”. 16. 17. Meu ser passado é um Em-si , possui uma essência conhecida, mas essa essência não foi predeterminada . “ Cada pessoa só tem como essência imutável, aquilo que já viveu”. 18. “A existência precede e governa a essência" . Por esta mesma razão cada Para-si tem a liberdade de fazer de si o que quiser. 19. A liberdade “ O ser humano está condenado à liberdade” . Toda pessoa a cada momento escolhe o que fará de sua vida, não há um destino previamente concebido. 20. As escolhas de cada um são direcionadas por projetos . Projeto é aquilo que você faz de sua vida e não aquilo que gostaria de fazer. 21. Há vários tipos de projeto, escrever um livro, comprar uma casa, “ Todas as pessoas são movidas por um projeto fundamental, o projeto de auto-realização, da transcendência ”. 22. Sonhamos em ser pessoas que realizaram todas as suas potencialidades, todos os projetos. Um ser que realizou tudo o que podia esgota suas potencialidades, tornar-se um Em-si. Isso irá acontecer quando morremos. 23. Quando a consciência deixa de existir, tornamos completo e acabado. Mas a morte é uma contingência, não podemos evitar e impede a concretização de nossos projetos. Não é a morte a transcendência desejada. 24. Sartre diz que o projeto fundamental é tornar-se um ser que já realizou tudo, mas preservando sua consciência, um ser Em-si-Para-si . Tal ser corresponde à noção que temos de Deus, um ser completo, sem limitações e com todas as suas potencialidades já realizadas, mas ainda consciente de si e do mundo. “ O homem é um ser que projeta tornar-se Deus". 25. A liberdade é escolher o caminho mais curto em direção ao projeto fundamental. Sempre sujeitos a limitações e contingências . Ex.: Não posso voar, mas posso agir, apesar destas limitações. Isso não diminui a liberdade. “ São as limitações que tornam a liberdade possível” , se realizássemos o que quiséssemos, tornaríamos um em sí. 26. A responsabilidade Cada escolha carrega consigo uma responsabilidade . Se escolho ir a algum lugar, falar alguma coisa, escrever um artigo, tenho que ter consciência de que qualquer conseqüência desses atos terá sido resultado de minha própria escolha. 27. “ E cada escolha ao ser posta em ação provoca mudanças no mundo que não podem ser desfeitas”. Não posso,atribuir a responsabilidade por estes atos a nenhuma força externa, ao destino ou a Deus . 28. “ Cada escolha que faço, torno-me responsável não só por mim, mas por toda a humanidade”. “ E faço isso por minha própria escolha, para que o mundo se torne mais como eu o projetei”. Eis a essência da responsabilidade: “ Eu, por minha vontade e escolha, ajo no mundo e afeto o mundo todo. Ser livre é ser responsável”. 29. As limitações me impõem escolhas. Um preso tem a liberdade e escolhas a fazer. Esta é, para Sartre, a verdadeira liberdade que ninguem pode escapar: "não é a liberdade de realização, mas a liberdade de eleição". 30. “ O importante não é o que o mundo faz de você, mas o que você faz com aquilo que o mundo fez de você”. " Uma vez que a liberdade explode no peito de um homem, contra este homem nada mais podem os deuses“ 31. A angústia “ A responsabilidade é um fardo pesado”. A angústia existencial decorre da consciência que “ as escolhas definem o que você é ou se tornará” . Estas escolhas podem afetar, de maneira irreparável, o próprio mundo . A "angústia" decorre da consciência da liberdade e do receio de usá-la de forma errada. 32. É mais fácil acreditar que existe um propósito no universo. Que nossos atos são guiados por uma mão invisível em direção a esse propósito. Neste caso, meus atos não seriam responsabilidade minha, mas apenas o meu papel em um roteiro maior. 33. Para Sartre Não há um propósito ou um destino universal. O homem diante desta constatação se desalenta. O desalento é a constatação de que nada existe fora de nós que define nosso próprio futuro. Apenas nossa liberdade. 34. A má-fé Segundo Sartre, a má-fé é uma defesa contra a angústia e o desalento , uma defesa equivocada. Renunciamos à nossa liberdade escolhendo o que nos afastam do projeto fundamental, atribuindo conformadamente estas escolhas a fatores externos, ao destino , a Deus , aos astros , a um plano sobre humano . Sartre também considerava a idéia freudiana de inconsciente como um exemplo de má-fé. O francês Jean-Paul Sartre estudou na Escola Normal de Paris e em Berlim, onde recebeu a influência de Husserl e Heidegger. Desenvolveu uma filosofia existencialista em obras como O ser e o nada (1943) e O existencialismo é um humanismo (1946). Nela, aprofunda temas como a liberdade humana, a angústia e as paixões. Interessou-se também pelo marxismo, cujo pensamento expressou em Crítica da razão dialética (1960). Em 1945, fundou, com Merleau-Ponty, a revista Lês Temps Modernes e converteu-se em um dos principais teóricos da esquerda. Entre sua produção literária, estão A náusea (1938) e a trilogia "Os caminhos da liberdade", composta de A idade da razão (1945), Sursis (1947) e Com a morte na alma (1949), assim como suas obras de teatro Mortos sem sepultura (1946) e Entre quatro paredes (1945). Em 1964, foi-lhe concedido o prêmio Nobel de Literatura, que ele rejeitou, alegando que nenhum homem poderia ser transformado em instituição. Para Sartre, a liberdade não se resume ao que podemos escolher. Ela se dá pela invenção de possibilidades. Nós podemos inventar nossas opções. Mas isso acontece, sobretudo, quando inventamos a nós mesmos. Se recordarmos John Locke, ele pressupunha que todos nós nascemos vazios, mas com nossas experiências podemos adquirir o conhecimento e, portanto, tornamo-nos alguma coisa. A mais profunda liberdade é poder escolher o que somos e não apenas o que fazemos. Nós escolhemos um projeto para nós mesmos, o que Sartre chama de compromisso. Nós nos comprometemos com nossos valores, gostos, sonhos, desejos e projetos. Sobre o que somos e o que seremos, nós decidimos. A razão disso tudo é a liberdade, que nos permite tornar um tipo de pessoa, voltar atrás ou mudar para outra direção. A liberdade exige cada vez mais liberdade, liberdade de ser o indivíduo que queremos, bons, felizes, tristes, inteligentes, cultos, esportistas, verdadeiros, fingidos, torcedores fanáticos de um time de futebol, mães solteiras etc. Liberdade de escolha - mesmo com limites, a partir da nossa vida, nós decidimos a criação de uma outra vida para nós. Podemos sempre repetir: "Não importa o que fizeram de mim, o que importa é o que eu faço com o que fizeram de mim". Mas ninguém é livre sozinho. Para nos fazermos e refazermos, precisamos de outros com as mesmas possibilidades. É a liberdade dos outros que garante a nossa liberdade. Imagine se ninguém fosse livre a não ser você; seria como um jogo de futebol em que todos os demais jogadores estivessem presos ao chão. Que gosto teria jogar sozinho, sem ter alguém para comemorar ou entristecer-se conosco, partilhando conquistas e derrotas? Quanto mais livres são os outros, mais livres nós somos. Cada um, com sua liberdade, pode inventar a si mesmo e, assim, reinventar o mundo, as cidades, os grupos, lembrando, sempre, que a violência entre os homens começa quando alguém não respeita a liberdade do outro. DESTINO E DETERMINISMO A ideia de destino significa que o homem não pode escolher para onde vai, ou até o que fazer, mesmo que seja contra a sua vontade. Algo fora dele decidirá, e não há nada que ele possa fazer para mudar seu futuro ou alterar seu presente. Essa ideia tem caráter religioso e pode-se dizer que foi introduzida na Filosofia pelos estóicos. Para eles, havia uma causa necessária para tudo, ou seja, o mundo inteiro segue certas leis, as quais obrigam as pessoas a agir e morrer sem poder decidir por si. Essa ideia de causa necessária, posteriormente aplicada à ciência, significa que tudo tem uma causa e um efeito; o destino de tudo já foi decidido pelo seu passado, ou melhor, pela sua causa. A LIBERDADE DE FAZER-SE Sartre e a compreensão da liberdade Segundo Jean-Paul Sartre, a existência precede a essência. Esse princípio da Filosofia existencialista de Sartre quer dizer que os homens não possuem uma essência anterior que revele a sua verdadeira natureza. Ao afirmar que a existência precede a essência, Sartre quis dizer que cada indivíduo está inserido no mundo e o mundo, muito mais do que aspectos naturais, abarca as relações familiares e sociais, relações afetivas e materiais dentro de um determinado contexto histórico. A existência, nesse sentido, depende da conduta que cada um assume em relação aos diferentes fatores que caracterizam o mundo em que vivemos. Dessa forma, os homens são o que fazem no decorrer das suas vidas. Assim, para o existencialismo sartreano, nem a natureza e seus determinismos nem Deus podem explicar de antemão os homens, suas histórias e suas escolhas. Isto porque os homens, pelas suas escolhas, dentro de um determinado contexto de possibilidades, constroem-se a si mesmos. É por intermédio da liberdade de escolha que os homens se fazem. A liberdade de fazer-se significa que a liberdade não é um conceito abstrato, mas uma atitude concreta e identificável, a liberdade é uma característica básica da existência humana e, sendo assim, é preciso assumir a liberdade que nos define ou aprender a ser livre. Admitir a liberdade como base da existência humana significa que devemos atuar no sentido de realizar o nosso projeto de vida, significa não assumir um papel social determinado de antemão por outros, significa, por fim, assumir a responsabilidade pelas escolhas que fazemos e, assim, ser responsável pelo que se é. Sartre com a filósofa e escritora Simone de Beauvoir. Os dois mantiveram um casamento aberto e foram companheiros até a morte dele, em 1980 (Simone faleceu em 1986). Sartre: o ser e o nada Em uma obra ampla, que reúne ensaios, filosofia, teatro e literatura, Sartre defendeu suas teses sobre o ser humano. Seu ponto de partida afirma que o homem vem do nada e é radicalmente livre para fazer a si mesmo. Filosofia, ensaio, literatura Uma das características mais marcantes de Jean-Paul Sartre (l 905-1980) é sua versatilidade com os vários tipos de texto. Ao rigor dos conceitos filosóficos ele aliou o ensaio e a ficção. E foi bem-sucedido em todos esses gêneros. Não se pode, porém, separá-los no conjunto da obra sartreana. Romances, contos, crônicas, crítica literária, jornalismo, análise política e ensaios estão profundamente ligados, na temática, no desenvolvimento das tramas e na composição das personagens, à sua filosofia. São maneiras diferentes de expressar o tema principal da reflexão de Sartre: o homem. Sartre com a filósofa e escritora Simone de Beauvoir. Os dois mantiveram um casamento aberto e foram companheiros até a morte dele, em 1980 (Simone faleceu em 1986). Nessa reflexão, ele retoma a ideia de Martin Heidegger (1889-1976), de que o ser humano vem do nada e se dirige também para o nada. Não há divindade criadora nem "essência" preexistente na origem do homem. Ele vem do nada e somente passa a ser, a existir, quando, já no mundo, começa a fazer-se, a construir-se. É nesse sentido que Sartre entende o homem como "ser para-si": dotado de consciência, ele se percebe (ou seja, ele percebe que "é", que "existe") e por isso pode fazer a si mesmo. E aqui Sartre também resgata outra noção de Heidegger a de que a existência humana é sempre um projeto. Existir é impelir-se na direção do futuro. Consciência, "ser em-si", "ser para-si" A característica mais fundamental do homem, aquilo que o diferencia de outros seres, é a consciência. E a consciência, a princípio, também é nada. É um vazio que começa a ser preenchido quando o ser humano nasce e passa a observar tudo aquilo que há no mundo (os "fenômenos"). O conteúdo da consciência, assim, é composto dos fenômenos que ela percebe na natureza. A consciência - isto é, o ser humano -, porém, faz muito mais do que apenas registrar os objetos do mundo. O homem consegue organizar os fenômenos que observa, dando-lhes um sentido. Ao fazer isso, ele se transforma num co-autor do mundo, que passa a ser aquilo que cada um (e todos, numa perspectiva mais ampla) entende que o mundo seja. A essa capacidade de perceber as coisas, e dar-lhes sentido, Jean-Paul Sartre chama "intencionalidade": a consciência sempre é consciência de algo. O ser humano, que percebe, e os objetos, que são percebidos, mas não podem perceber, são os dois tipos de seres existentes no mundo. O homem, dotado de consciência, é o único capaz de perceber que percebe e de utilizar essa capacidade para decidir o que é, o que fará e como fará. Por isso ele é um "ser para-si". Já os objetos, seres que são percebidos, mas não têm percepção, são "seres em-si": existem, estão no mundo, mas não têm, por princípio, a capacidade de reflexão e a autonomia que a consciência confere aos humanos. Psicanálise existencial A psicanálise existencial, proposta por Jean-Paul Sartre, diferencia-se da freudiana por rejeitar o determinismo como causa de acontecimentos passados. Uma psique que reage à pressão das circunstâncias permite descobrir a estrutura ontológica da escolha originária. O para-si, que é por essência nada, procura abandonar essa condição de origem: deseja ser. Porém, não aspira a um ser na forma do em-si, isto é, uma coisa, um objeto qualquer do mundo. O que o homem quer é converter-se em um em-si que, ao mesmo tempo, seja seu próprio fundamento, ou seja, um em-sí-para-si. Sartre: liberdade radical Condenado a ser livre, o homem é o único responsável por si e por seus atos. Por isso mesmo tem medo e angústia: sente-se sozinho, abandonado no mundo, sem saber o que fazer no instante seguinte. Liberdade e ação A teoria sartreana do ser para-si conduz a uma teoria da liberdade. Isso porque o ser para-si define-se como ação e a primeira condição da ação é a liberdade. O que está na base da existência humana é a livre escolha que cada homem faz de si mesmo e de sua maneira de ser. Desse princípio decorre a afirmação de Jean-Paul Sartre (1905-1980) de que o homem é inteiramente responsável por aquilo que é; não tem sentido querer-se atribuir as falhas individuais a fatores externos como a hereditariedade, a ação do meio, a influência de outras pessoas. A cada momento o ser humano precisa exercer sua liberdade absoluta, refazendo seu eu. É esse o processo de existir, uma relação indeterminada com esse refazer. Isso provoca angústia. Provoca também o medo de realizar as próprias possibilidades; há medo e angústia porque o homem não sabe o que será no momento seguinte. A autonomia da liberdade, como determinação fundamental e radical do ser para-si, faz do existencialismo uma filosofia que prescinde da ideia de Deus. Para Sartre não há nenhum fundamento sobrenatural para os valores: é o homem que os cria. O valor da vida é o sentido que cada homem escolhe para si mesmo. Em síntese, o existencialismo sartreano é uma forma radical de humanismo, suprimindo a necessidade da metafísica e colocando o próprio homem como criador de todos os valores. A má-fé Quando o ser humano se fixa numa personagem de si mesmo, rompendo com o fazer-se contínuo, ele deixa de usar sua liberdade. Cristaliza-se. Essa cristalização, esse parar de fazer-se livremente, tem um nome: má-fé. O ideal perseguido pela má-fé é tornar-se coisa, ser em-si. A má-fé leva à reificação: o ser humano passa a considerar-se algo sólido (como um objeto), definitivo, contrariando a possibilidade do para-si - que é fazer-se - e desagregando a existência, pois desestruturou a liberdade. A conduta de má-fé é a fuga da liberdade. O “ser para - outro” O ser humano convive, no mundo, com outros seres humanos e com objetos. Difere, porém, o modo como se dá a interação com uns e outros. Se, diante de objetos, o homem não tem com que se preocupar, com outros seres humanos a preocupação aparece. O olhar do outro vê os demais como objeto a ser analisado, medido, avaliado, incorporado, anulando-os como sujeitos. Como há resistência, por parte dos seres humanos, a ver-se relegados à condição de objetos, essa objetivação mútua não é capaz de converter o outro em mero em-si. Para escapar da objetivação, é preciso ver o outro como um traço estrutural e originário do para-si: o homem, ao saber aquilo que é, sabe também aquilo que não é (sabe que não é o outro). E pode, então, reconhecer no outro uma consciência, um sujeito como ele, não uma coisa. Liberdade e responsabilidade (...) o homem, estando condenado a ser livre, carrega nos ombros o peso do mundo inteiro: é responsável pelo mundo e por si mesmo enquanto maneira de ser. Tomamos a palavra "responsabilidade" em seu sentido corriqueiro de "consciência (de) ser o autor incontestável de um acontecimento ou de um objeto". (...) Portanto, é insensato pensar em queixar-se, pois nada alheio determinou aqui/o que sentimos, vivemos ou somos. Por outro lado, ta/ responsabilidade absoluta não é resignação: é simples reivindicação lógica das consequências da nossa liberdade. O que acontece comigo, acontece por mim, e eu não poderia me deixar afetar por isso, nem me revoltar, nem me resignar. (...) Sou abandonado no mundo (...) no sentido de que me deparo subitamente sozinho e sem ajuda, comprometido em um mundo pelo qual sou inteiramente responsável, sem poder, por mais que tente, livrar-me um instante sequer desta responsabilidade, pois sou responsável até mesmo pelo meu próprio desejo de livrar-me das responsabilidades (...). JEAN-PAUL SARTRE, O ser e o nada. SITUAÇÃO 4 IMMANUEL KANT AUTONOMIA O objetivo desse texto é desenvolver a capacidade de pensar a autonomia, entendida como uma espécie de legislação particular do indivíduo, ou seja, as normas de conduta que ele cria para si mesmo. Já que todos podemos escolher sempre, é importante fazermos a constante reflexão sobre nossas regras pessoais: Como podemos criá-las e com base em quais critérios? Em todos os lugares, existem sempre muitas normas, disciplinando quase tudo. Algumas delas são escritas e outras já fazem parte do nosso entendimento comum do mundo, ou seja, fazem parte de uma tradição. A escola, por exemplo, está cheia de regras. São normas que vão do uso do boné ao uso do banheiro, sobre a preservação do silêncio quando o professor está falando, que proíbem a “cola” na prova, além de muitas outras. Em casa, também, há muitas regras, como as que disciplinam o uso da TV e do som, as que exigem respeito à limpeza do lar, as que orientam a distribuição de tarefas e responsabilidade domésticas. Até entre os amigos deve haver normas que possam preservar o respeito mutuo e a amizade. As normas são criadas pela influência dos costumes das sociedades ou por quem detém a autoridade. Nem sempre, porém, a tradição, as normas ou a legislação são capazes de nos orientar em nossas escolhas. Autonomia e heteronomia Segundo o Dicionário básico de Filosofia, a palavra autonomia significa liberdade política, autodeterminação e capacidade de governar a si mesmo. De acordo com a Filosofia Kantiana, autonomia “é o caráter da vontade pura que só se determina em virtude de sua própria lei, que é conformar-se ao dever ditado pela razão prática e não por interesse externo”. A heteronomia, ao contrário, significa que a lei a que se obedece é de origem externa. “Em Kant, por oposição à autonomia da vontade, a heteronomia compreende todos os princípios da moralidade aos quais, a vontade deve submeter-se: educação, constituição civil” etc. Dessa forma, a autonomia da vontade se manifesta quando seguimos leis que nós mesmos estabelecemos com base na razão e independente de outras motivações além da própria razão. A heteronomia está atrelada às normas que foram estabelecidas de acordo com as concepções de consciência e bem-estar. Nesse sentido, com base na Filosofia Kantiana, os homens, por serem racionais e viverem em sociedade e segundo normas de convivência, pautam as suas ações pela autonomia da vontade e/ou por heteronomia. Para melhor entendermos sobre a ética Kantiana, vamos fazer a leitura de dois textos a seguir. O texto 1 traz breves considerações sobre como o debate ético está instaurado em nosso cotidiano. O texto 2, é um fragmento em que Kant explica o Imperativo Categórico e o Imperativo hipotético. Texto 1 Um critério para nossas escolhas Em geral, trazemos para questões éticas os grandes debates, tais como o aborto, a pena de morte e a utilização de animais para testes científicos. Esses e outros temas de grande magnitude certamente devem ser tocados pelos debates éticos. Contudo, as ações corriqueiras do nosso cotidiano são reveladoras das nossas crenças e dos nossos critérios de escolha e, portanto, devem ter parte na reflexão ética. A forma de tratar os colegas, os professores, os pais e as pessoas desconhecidas que cruzam o nosso caminho revela os nossos valores e os nossos critérios de ação. Por exemplo: Quando nos deparamos com alguma dificuldade, quais são os nossos critérios para decidir o que fazer? Consideramos critérios individuais ou de solidariedade? Critérios racionais ou emocionais? Para o Filosofo Immanuel Kant, as nossas ações devem ter como critério o dever moral. É o dever moral, fundado na razão, que nos eleva à condição de seres morais, ou seja, que nos permite abrandar o nosso egoísmo, a nossa ambição e a busca desenfreada pelos prazeres. Kant traz as reflexões éticas para a prática, para as ações que demandam escolhas. O poder de tomar decisões no âmbito da vida humana, Kant chama de “arbítrio”. “Imaginemos que um homem cometa um crime, um assassinato. De fato, ele pode tentar se eximir da culpa pelo que fez alegando que foi levado a isso por forças maiores, e que por isso ele ‘não teve escolha’. Pode afirmar, por exemplo, que foi criado num ambiente violento e desumano, ou que foi tomado por uma ira incontrolável naquele momento determinado, ou ainda que ouviu vozes de instâncias sobrenaturais ordenando o ato... É bem possível que essas alegações, se confirmadas, sirvam eventualmente como atenuantes de sua responsabilidade. Mas ele jamais escapará da acusação de que, por ser ele um ser humano e tomar decisões a partir de um arbítrio humano, poderia ter tomado a decisão de resistir a todas as forças, por maiores que fossem, que o ‘conduziram’ ao crime.” Texto 2 Fundamentação da metafísica dos costumes Na natureza, tudo funciona de acordo com certas leis. Somente um ser racional tem a faculdade de agir de acordo com a representação das leis, isto é, de acordo com princípios, ou seja, usando sua vontade. Uma vez que a dedução de ações a partir de princípios demanda razão, a vontade nada mais é do que a razão prática [...] a vontade é a faculdade de escolher aquilo que somente a razão, independente de inclinações, reconhece como algo necessário na prática, ou seja, como algo bom. Porém, se a razão por si só não é suficiente para determinar a vontade, esta estará, por sua vez, sujeita a condições subjetivas (impulsos individuais), que nem sempre coincidem com as condições objetivas em resumo, se a vontade não estiver totalmente de acordo com a razão (o que, em realidade, acontece entre os homens), então as ações, objetivamente reconhecidas como necessárias, são subjetivamente contingentes, e a determinação da vontade de acordo com leis objetivas é uma obrigação [...]. A representação de um princípio objetivo, no sentido de ser obrigatório para uma vontade, é chamada comando (da razão), e a fórmula do comando é chamada imperativo. Todos os imperativos são expressos pelo verbo deve (ou deverá) [...]. Assim, todos os imperativos são ordens hipotéticas ou categóricas. A forma hipotética representa a necessidade prática de uma ação possível como meio para chegar-se a algo que é desejado (ou, pelo menos, algo que pode vir a ser desejado). O imperativo categórico seria aquele representado por uma ação necessária em si, sem referência a outros fins, ou seja, como objetivamente necessária. [...] todos os imperativos são formulas para determinar uma ação que seja necessária de acordo com o princípio da boa vontade, sob certos aspectos. Se, portanto, a ação é boa apenas como meio para se chegar a algo, então o imperativo é hipotético, se for concebida como boa em si mesmo e, consequentemente, como necessária e dentro do princípio de uma vontade ajustada à razão, então ela é categórica. [...] O imperativo categórico que declara uma ação como objetivamente necessária em si mesmo, sem referência a qualquer outro propósito, isto é, sem qualquer outro fim, é válido como um princípio apodítico (prático). Immanuel Kant é um Filosofo que nos ajuda a pensar as questões éticas e a problematizar regras morais. Esse filósofo distinguiu diferentes possibilidades para analisarmos as relações entre vontade, razão e ação. Kant chamou de imperativos os mandamentos da razão que se relacionam com uma vontade. E definiu dois imperativos centrais: imperativo hipotético e imperativo categórico. O imperativo hipotético representa a necessidade de uma ação como meio de alcançar qualquer objetivo que se queira. O imperativo categórico é a ação necessária por si mesma, universal, e, como tal, válida para todos os homens. Essa distinção é interessante para questionarmos nossas ações e nossos princípios morais, sobretudo tomando-se por base esta pergunta: O que considero válido para mim é válido para todos os homens? O Esclarecimento Kantiano Toda a presente dissertação do filósofo moderno Immanuel Kant gira em volta da resposta à pergunta sobre o esclarecimento (aufklärung). Kant começa pelo próprio termo esclarecimento, que «é a saída do homem de sua menoridade». O que produz tal menoridade é o próprio homem, que não consegue sair de sua condição medíocre e tomar coragem de servir-se de si mesmo sem necessitar da ajuda de alheios. A menoridade do homem o afeta em todos os campos: na política, na sociedade, no trabalho, etc. O processo para se sair desse estado de minoridade está no autocontrole e na liberdade que cada indivíduo deve cultivar. Somos convidados a não nos acomodar, a sair em busca do saber, por isso usa o termo latino: Sapere aude! (Ouse saber). Somente através dessa ousadia é que podemos sair de nossa condição. Essa ousadia implica a «coragem de fazer uso de teu próprio entendimento», o que é como que o slogan do esclarecimento. As principais causas que impedem o esclarecimento estão no comodismo, na preguiça e na covardia. Com tais causas, o homem permanecerá sempre em sua menoridade. Para as pessoas acostumadas a ‘receberem as coisas nas mãos’ (Kant enumera alguns: ter um livro que faz as vezes de nosso entendimento; um diretor espiritual que tem consciência em nosso lugar; um método que decide a nossa dieta; etc.), torna-se difícil e perigoso renunciar sua menoridade. Isto está tão enraizado em sua vida, em seu cotidiano, em todos seus trabalhos, que se torna natural, cômodo. Por isso é que os homens não sabem como lidar com a liberdade quando a têm e os impede de utilizar seu entendimento. Mas, para tanto, sempre há uma primeira tentativa, e é essa a exortação de Kant em sua resposta à pergunta proposta. Há pessoas, no entanto, que são o contrário. São aqueles “indivíduos capazes de pensamento próprio”. Esses indivíduos devem espalhar o espírito de avaliação racional de cada homem. Todavia, existem pessoas que acabam tirando proveito da situação, obrigando as demais pessoas a viverem sob seu domínio. A verdadeira revolução deve ser a mudança de pensamento das pessoas. Essa mudança traz benefícios muito maiores que a de uma revolução política, em que apenas se trocam algumas pessoas do poder, mas a dominação continua. Uma revolução assim, que derruba um governo despótico, «nunca produzirá a verdadeira reforma do modo de pensar». O esclarecimento exige liberdade. Uma liberdade não limitada, não condicionada, que favoreça apenas aos que têm o “poder” nas mãos. Também o uso privado da razão, apesar de ser limitado, pode ajudar consideravelmente no progresso do esclarecimento. O uso privado da razão é aquele que o sábio pode fazer em um certo cargo público ou numa função a ele confiada. Um oficial não pode colocar, contra seu superior, seu raciocinar em voz alta. “Deve obedecer.” Entretanto, este mesmo oficial não está impedido de fazer observações sobre os erros no serviço militar. Da mesma forma que um sacerdote, obediente ao credo que professa, diz palavras, em seu sermão, coniventes com o credo professado. Mas, pode e deve, contudo, alertar o público sobre as idéias equivocadas da fé professada. Mesmo a época relatada por Kant é um período apenas de passagem. A época do filósofo não é, ainda, “esclarecida”, mas está em processo de “esclarecimento”. Tal processo é fruto do Iluminismo, tendência de pensamento esclarecido pela luz da razão, e não mais das trevas do Medieval. Portanto, o texto de Kant é essa explicação do esclarecimento. Com ele e nele, temos a ansiedade de buscar, assim como o próprio filósofo, inspirado por Hume, “acordar do sonho dogmático” em que vivemos. Só assim é que o homem se redimirá de sua culpa e sairá de sua tão deplorável menoridade. Prof. Manoelito

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

CONTEÚDOS DAS SITUAÇÕES 1 E 2 - 3ª SÉRIE - 1º BIMESTRE - AVALIAÇÃO 01

O PRECONCEITO EM RELAÇÃO À FILOSOFIA Leitura e Análise de Texto Ideias que as pessoas têm da Filosofia Se fizermos uma rápida pesquisa com as pessoas à nossa volta, indagando o que elas pensam da Filosofia, muito provavelmente ouviremos opiniões diversas. Umas dirão, por exemplo, que a Filosofia é algo muito difícil e que, por isso mesmo, só pode ser praticada por pessoas de inteligência privilegiada, sendo inacessível aos “simples mortais”; outras responderão que a Filosofia é coisa de gente doida, que vive no mundo da lua e que só se preocupa com assuntos abstratos, e que ela, a Filosofia, nada tem a ver com a vida prática; outras, ainda, concordando com essas últimas, emendarão que a Filosofia, por não ter uma aplicação prática imediata, não serve para nada. Pode ser que alguém, remando contra toda essa maré de opiniões pejorativas a respeito da Filosofia, se arrisque a dizer que a considera uma matéria linda, já que permite o contato com o pensamento dos filósofos, expresso em frases de rara profundidade e beleza, ainda que, por vezes, incompreensíveis; por fim, certamente haverá também aquelas que confessarão, com algum sarcasmo ou menosprezo, não ter a menor ideia do que seja a Filosofia. Todas essas opiniões, na realidade, são, pelo menos em certa medida, expressão de um preconceito em relação à Filosofia. Por que preconceito? Porque, em geral, são opiniões emitidas apressadamente, precipitadamente, sem a preocupação de examinar com o devido cuidado o assunto sobre o qual se está opinando a fim de conhecê-lo melhor. E é justamente isso que caracteriza o preconceito. Sempre que fazemos isso corremos mais seriamente o risco de nos enganar em nosso julgamento e até de cometer injustiças com as pessoas. 1. Você se considera preconceituoso em relação a alguma coisa? Argumente. 2. E em relação à Filosofia? Justifique. 3. Cite dois adjetivos que você atribuiria à Filosofia. 4. O que é Filosofia para você? 5. Na sua opinião, para que serve a Filosofia? 6. Na sua opinião, o que faz um filósofo e o que uma pessoa precisa fazer para filosofar? Tales de Mileto: o distraído O preconceito e a hostilidade em relação à Filosofia não são algo novo, recente, mas, ao contrário, remontam às origens da Filosofia na Grécia Antiga. Talvez o registro mais antigo desse preconceito seja aquele de que foi vítima Tales de Mileto, que viveu no século VII a.C. e é considerado o primeiro filósofo da história. A respeito dele contava-se a seguinte anedota, bastante difundida na Grécia Antiga e recuperada por Platão em sua obra Teeteto1: Tales era tão interessado no estudo dos astros que costumava caminhar olhando para o céu. Certo dia, absorto em seus pensamentos e raciocínios, acabou tropeçando e caindo em um poço, sendo motivo de riso e caçoada para uma escrava que ali se encontrava. Espalhou-se, então, o boato de que Tales se preocupava mais com as coisas do céu, esquecendo-se das que estavam debaixo de seus pés. “Essa pilhéria”, adverte Platão, “se aplica a todos os que vivem para a Filosofia.”2 Essa imagem de um homem distraído e trapalhão, porém, não parece condizer com a verdade sobre Tales, que, ao que tudo indica, era uma pessoa bem esperta, viva e inteligente. É o que se conclui, por exemplo, de outra anedota contada sobre ele, registrada por Aristóteles em sua obra A política e atribuída a Tales por causa de sua sabedoria: “Como o censuravam pela pobreza e zombavam de sua inútil filosofia, o conhecimento dos astros permitiu-lhe prever que haveria abundância de olivas. Tendo juntado todo o dinheiro que podia, ele alugou, antes do fim do inverno, todas as prensas de óleo de Mileto e de Quios. Conseguiu-as a bom preço, porque ninguém oferecera melhor e ele dera algum adiantamento. Feita a colheita, muitas pessoas apareceram ao mesmo tempo para conseguir as prensas e ele as alugou pelo preço que quis. Tendo ganhado muito dinheiro, mostrou a seus amigos que para os filósofos era muito fácil enriquecer, mas que eles não se importavam com isso. Foi assim que mostrou sua sabedoria.”3 Na verdade, Tales deve ter gozado de grande prestígio em sua época. Tanto que passou para a posteridade como um dos sete sábios da Grécia4: na política, empenhou-se em organizar as cidades gregas da Jônia para enfrentar a ameaça dos persas; como engenheiro, quis desviar o curso de alguns rios para fins de navegação e irrigação; como pesquisador, investigou as causas das inundações do rio Nilo, rompendo com as explicações míticas que se davam para elas; como astrônomo, previu um eclipse solar e descobriu a constelação denominada Ursa Menor; como matemático e geômetra, teria descoberto um método para medir a altura de uma pirâmide do Egito, do qual teria derivado o famoso “teorema de Tales”. Além disso, não podemos esquecer que Tales foi, segundo Aristóteles, o primeiro a dar uma resposta racional, isto é, sem recorrer aos mitos, para a pergunta que mais incomodava os primeiros filósofos (os chamados pré-socráticos ou filósofos físicos): Qual era o elemento primordial que dava origem a todas as coisas? Para Tales esse elemento era a água, por ela estar presente nos alimentos necessários à vida, pelo fato de as coisas vivas serem úmidas, enquanto as mortas ressecam e porque a Terra repousa sobre as águas. Daí sua conclusão de que ela deve ter sido o elemento primordial. Vemos, portanto, que Tales, ao contrário do que sugere a primeira anedota, não tinha nada de lunático, distraído e desligado dos problemas concretos. Pôs toda a sua inteligência, curiosidade e criatividade a serviço da busca de soluções para eles, sobretudo aqueles mais importantes e urgentes em sua época. Eis por que a tal anedota revela, de fato, um preconceito, isto é, um conceito precipitado e desprovido de fundamentação. 1. Na sua opinião, Tales foi vítima de preconceito? Por quê? 2. De acordo com o excerto de Aristóteles, e baseado nos outros dados do texto analisado, você consideraria a filosofia de Tales como algo sem utilidade? Justifique. 3. E quanto a você? Já sofreu algum preconceito? Se desejar, conte ao grupo. 4. Você acredita que uma pessoa que passe a se interessar pela Filosofia será alvo de preconceito, hostilidade ou rejeição? Por quê? Teme que isso aconteça com você? 5. Faça uma pesquisa sobre Tales e os filósofos pré-socráticos procurando responder às seguintes perguntas: a) Por que são chamados de pré-socráticos? b) Por que Tales é considerado o primeiro filósofo da história? c) Quais são as respostas de outros pré-socráticos para o problema da origem do universo? Sócrates: aquele que vive nas nuvens Outra célebre vítima do preconceito e da intolerância contra a Filosofia foi Sócrates. E neste caso as consequências foram muito mais sérias, visto que o levaram à morte. Na realidade, não há uma imagem única de Sócrates. Isso porque todas as informações que temos dele nos chegaram por testemunhos indiretos, já que ele mesmo nada escreveu. Assim, enquanto seus amigos, admiradores e discípulos, como Xenofonte e Platão, por exemplo, o viam como sábio, patriota, respeitador das leis e da religião, piedoso, justo, valoroso como guerreiro nas batalhas etc., seus críticos o retratavam como uma pessoa esquisita, deslocada, excêntrica, charlatã, corruptor de jovens e ímpio. Leitura e Análise de Texto De todos esses testemunhos pouco elogiosos sobre Sócrates, sem dúvida o mais significativo que chegou até nós foi a imagem dele traçada por Aristófanes na comédia As nuvens. Neste texto, aparece um Sócrates “se movendo livremente, proclamando que caminhava no ar e dizendo uma plêiade de outras tolices” das quais não entende nada. É um Sócrates mestre dos sofistas, isto é, charlatão, enganador e que ensinava às pessoas a arte desse engano. Aliás, essa imagem dos sofistas também era, em boa medida, preconceituosa. Na peça de Aristófanes, ele surge em cena empoleirado em uma cesta suspensa no ar, significando que ele vivia nas alturas, preocupado com questões de cosmologia e de astronomia (movimento dos astros, origem do universo etc.), ou com assuntos sem a menor relevância, como a medida do pulo de uma pulga, ou se o zumbido de um mosquito é produzido por sua tromba ou seu traseiro, ficando totalmente alheio aos problemas realmente importantes da vida dos cidadãos de Atenas. A certa altura, um dos discípulos conta que, certa vez, “uma lagartixa atrapalhou uma indagação transcendental” de Sócrates. Isso aconteceu, segundo o relato, quando ele “observava a lua para estudar o curso e as evoluções dela, no momento em que ele olhava de boca aberta para o céu, do alto do teto uma lagartixa noturna, dessas pintadas, defecou na boca dele”. Essa imagem depreciativa e até cômica de Sócrates provavelmente revela a ideia que a maioria das pessoas tinha a respeito dele e dos filósofos em geral. No entanto, é uma imagem bastante distorcida. Na realidade, Sócrates e os sofistas inauguram um novo período na história da Filosofia em que a reflexão filosófica se desloca da cosmologia e da física (princípio que dá origem a todas as coisas) para as questões relativas à vida concreta na cidade (pólis), isto é, à política, à ética, ao conhecimento. Os assuntos que ele gostava de abordar eram a justiça, a beleza, a coragem, o amor, a educação, entre outros. Vem daí, aliás, a denominação de pré-socráticos atribuída aos filósofos anteriores a ele. Não tanto por razões de cronologia, mas principalmente pela diferença quanto aos temas da reflexão filosófica. Além disso, no que se refere aos sofistas, Sócrates tinha, certamente, muito mais diferenças e mesmo divergências com eles do que semelhanças. Enquanto os sofistas se apresentavam como sábios, isto é, pessoas entendidas em diversos assuntos, especialmente na técnica da retórica, Sócrates dizia: “Sei que nada sei”; enquanto os sofistas cobravam pelos ensinamentos que ministravam, Sócrates condenava essa prática e filosofava com as pessoas gratuitamente na praça (ágora) de Atenas; enquanto os sofistas eram céticos em relação à possibilidade de se conhecer a verdade universal, Sócrates a perseguia incansavelmente; enquanto os sofistas contentavam-se com a opinião (doxa), Sócrates exigia o saber verdadeiro (episteme). A respeito dos sofistas, diz Sócrates ironicamente por ocasião de seu julgamento: “Cada um desses homens [...] é capaz de dirigir-se a qualquer cidade e persuadir os jovens, os quais podem se associar, segundo queiram, com qualquer de seus concidadãos sem pagar, a deixar a companhia dessa pessoa para se juntarem a ele, remunerá-lo e, além disso, mostrar-lhe gratidão”. Vemos, assim, que a imagem de Sócrates traçada por Aristófanes, procurando retratá-lo como alguém que anda nas nuvens, preocupado com assuntos alheios ao cotidiano das pessoas e identificado com os sofistas, não corresponde à verdade sobre ele. Ao contrário, baseia-se em um preconceito, a exemplo do que ocorrera com a anedota sobre Tales. É interessante observar que em seu julgamento Sócrates faz menção à comédia de Aristófanes (As nuvens) como um dos fatores que provocaram as acusações contra ele. PESQUISA 1. O que foi a comédia e qual a sua importância para a democracia ateniense? Cite alguns dos principais comediógrafos e suas obras. 2. Pode-se afirmar que a imagem de Sócrates construída por Aristófanes é preconceituosa? Por quê? Em que sentido? 3. Como era a democracia ateniense e em que ela se diferencia da democracia brasileira atual? 4. Quais são as principais diferenças entre Sócrates, os filósofos pré-socráticos e os sofistas? 5. A comédia e o humor podem ser formas de propagação de preconceitos? Justifique sua resposta e, se possível, dê exemplos. 6. Essas formas de manifestação artística e cultural são importantes para a democracia? Justifique. 3. Você vê alguma semelhança entre o papel da comédia no tempo de Sócrates e o dos programas humorísticos atuais? Dê exemplos e comente. Sócrates Discuta brevemente com um colega sobre a seguinte questão: Como é possível alguém ser a pessoa mais sábia que existe e, ao mesmo tempo, ser também alguém que nada sabe? Utilize o texto a seguir para embasar esta discussão. A morte de Sócrates Leitura e Análise de Texto De acordo com Platão, as acusações contra Sócrates foram: “Sócrates é réu por empenhar-se com excesso de zelo, de maneira supérflua e indiscreta, na investigação de coisas sob a terra e nos céus, fortalecendo o argumento mais fraco e ensinando essas mesmas coisas a outros.” “Sócrates é réu porque corrompe a juventude e descrê dos deuses do Estado, crendo em outras divindades novas.” Levado a julgamento, foi condenado à morte. Como e por que isso ocorreu? Tudo começou quando Sócrates tomou conhecimento de que o oráculo do templo de Delfos, dedicado ao deus Apolo, havia proclamado que ele era o homem mais sábio de Atenas. Não se considerando como tal, mas, ao mesmo tempo, não podendo duvidar da palavra do deus, decidiu investigar o significado de tal revelação. Procurou, então, aqueles cidadãos mais ilustres de Atenas e que eram tidos como os mais sábios da cidade. Eles pertenciam a três categorias sociais: os políticos, os poetas (autores de tragédias, como Aristófanes, e de ditirambos – cantos religiosos em homenagem ao deus Dionísio) e os artesãos. Interrogando esses cidadãos (por meio de seu método dialético), constatou que, na realidade, nada sabiam dos assuntos em que eram tidos como sábios. Ao término da conversa com cada uma dessas pessoas Sócrates concluía: “Sou mais sábio do que esse homem; nenhum de nós dois realmente conhece algo de admirável e bom, entretanto ele julga que conhece algo quando não conhece, enquanto eu, como nada conheço, não julgo tampouco que conheço. Portanto, é provável, de algum modo, que nessa modesta medida seja eu mais sábio do que esse indivíduo – no fato de não julgar que conheço o que não conheço”. Daí a famosa expressão atribuída a Sócrates: “Sei que nada sei”. Acontece que Sócrates praticava esses diálogos em praça pública, à vista de todos. Dentre os presentes havia sempre muitos jovens, filhos de famílias ricas, que dispunham de tempo livre (já que não precisavam trabalhar) e, por isso, podiam acompanhá-lo nessas ocasiões. Eles se divertiam vendo Sócrates “desbancar” os que se julgavam sábios e, mais tarde, punham-se a imitá-lo, interrogando outras pessoas e descobrindo muitas que supunham saber o que de fato não sabiam. Essas pessoas, que em geral eram gente importante e de prestígio na cidade, sentindo-se constrangidas, tornavam-se furiosas não contra esses jovens, mas contra aquele que consideravam responsável por tê-los ensinado tal comportamento; e passavam a propagar que: “Sócrates é o mais pestilento dos indivíduos e está corrompendo a juventude”. Na verdade, quando indagadas, tais pessoas não conseguiam provar tal acusação. Mas para esconder seu constrangimento, lançavam mão daquelas acusações que sempre são usadas contra todo “filósofo, ou seja, que [ensina] ‘as coisas no ar e as coisas sob a terra’ e ‘não crê nos deuses’, e ‘torna mais forte o argumento mais fraco’.” Esta é a origem das “inimizades, a um tempo implacáveis e aflitivas”, do ódio, das “calúnias” e das acusações contra Sócrates e que acabaram por levá-lo à morte. No fundo, Sócrates foi condenado porque, na democracia ateniense, os assuntos mais importantes da vida da cidade eram decididos em assembleias (ekklesía) nas quais cada cidadão podia expressar livremente sua opinião a favor ou contra uma determinada posição. Era, pois, um regime político sustentado pela crença no valor das opiniões. Ora, o que Sócrates fazia com sua dialética era justamente pôr em cheque as opiniões, mostrando que, muitas vezes, elas refletiam um conhecimento falso sobre o assunto em questão. Assim, para as pessoas importantes da cidade que costumavam discursar nessas assembleias, a “má” influência de Sócrates, sobretudo sobre os jovens, representava uma ameaça ao sistema democrático do qual se beneficiavam. Eis aí a natureza política da condenação de Sócrates. 1. Leia o texto a seguir, extraído do artigo intitulado “Errar é humanas”, de Gustavo Ioschpe, articulista da revista Veja. Em seguida, considerando também o ocorrido com Sócrates, escreva uma breve reflexão (10 a 15 linhas) sobre o tema: “A natureza política do preconceito e da intolerância com a Filosofia”. Leitura e Análise de Texto “Errar é humanas” “[...] É impossível estudar filosofia se você não sabe ler. Essas aulas serão apenas uma maneira mais escancarada de se praticar o doutrinamento do marxismo que impera em nossas escolas. Eu particularmente ficaria muito contente se os nossos alunos saíssem do ensino médio ignorantes de filosofia e sociologia, mas conseguindo ler um texto e entendendo-o, para que tomassem suas próprias conclusões filosóficas ao lerem seus próprios livros.” 1. Pesquise na internet, ou em outras fontes, piadas sobre a Filosofia e os filósofos. Transcreva pelo menos uma e leve para a aula seguinte para ser objeto de discussão em sala. Prof. Manoelito SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2 FILOSOFIA: DEFINIÇÃO E IMPORTÂNCIA PARA O EXERCÍCIO DA CIDADANIA As frases a seguir são expressões corriqueiras, extraídas da linguagem cotidiana. “O essencial é invisível aos olhos.” “As aparências enganam.” “A justiça tarda, mas não falha.” “Todos somos iguais perante a lei.” “É preferível a democracia à ditadura.” “A liberdade exige responsabilidade.” “A felicidade não se compra.” “O amor é lindo.” 1. Discuta com seus colegas e responda: a) O que os termos destacados significam para você? b) Você sabia que esses termos são, na verdade, conceitos filosóficos que se tornaram senso comum? c) Cite mais algumas expressões do senso comum que contenham conceitos filosóficos. Texto 1 – Todos os homens são “filósofos” Leitura e Análise de Texto Antonio Gramsci, um filósofo italiano do século passado, já alertava para a necessidade de se combater o preconceito muito difundido de que a Filosofia é uma atividade intelectual muito difícil e, por isso, restrita a uma minoria de inteligência supostamente privilegiada. Isso porque, para ele, num certo sentido, “todos os homens são ‘filósofos’”, pois, de algum modo, todas as pessoas, sem distinção, independentemente de seu grau de escolaridade, lidam, convivem, trabalham com a Filosofia e a utilizam no seu dia a dia, mesmo que não se apercebam disso. Afinal, a Filosofia está presente “na linguagem, no senso comum, no bom senso, na religião”, enfim, “em todo sistema de crenças, superstições, opiniões, modos de ser e agir” que caracteriza o que convencionalmente se denomina de “folclore” e do qual todos participam. A Filosofia está presente na linguagem porque esta não é pura e simplesmente um amontoado de “palavras gramaticalmente vazias de conteúdo”. Ao contrário, ela é um “conjunto de noções e conceitos determinados”, muitos dos quais derivados da Filosofia, como vimos nas frases apresentadas. Portanto, a Filosofia está presente na linguagem que utilizamos, mesmo que não tenhamos consciência disso. Daí por que, para Gramsci: “Linguagem significa também cultura e filosofia (ainda que no nível do senso comum)”. O senso comum é o conjunto de valores, crenças, opiniões, preferências, que constitui a nossa visão de mundo e que orienta nossas ações e escolhas cotidianas. Em geral é assimilado acriticamente, sem qualquer questionamento. A exemplo do que acontece com a linguagem, muitos desses valores e crenças têm origem na Filosofia, mas nós os assimilamos espontaneamente, sem nos darmos conta de sua origem. Simplesmente pensamos e vivemos de uma determinada maneira, acreditamos em certo grupo de valores, defendemos alguma posição política, ideológica ou religiosa, e assim por diante, sem, no entanto, nos preocuparmos em fundamentar nossas opiniões. Ao contrário, contentamo-nos com argumentos superficiais, muitas vezes até inconsistentes ou contraditórios. O “bom senso”, por sua vez, “é algo que se contrapõe ao senso comum” e, nesse sentido, “coincide com a filosofia”. Enquanto o senso comum é acrítico, espontâneo, irrefletido, o bom senso implica refletir, tomar consciência de que os acontecimentos possuem uma dimensão racional e que, portanto, devem ser compreendidos e enfrentados também de forma racional, a fim de se obter uma orientação consciente para a ação, evitando se deixar levar por “impulsos instintivos e violentos”. Esse “bom senso” é o que Gramsci chamou de “núcleo sadio do senso comum”. Ou seja, mesmo no nível do senso comum é possível refletir, pensar de maneira crítica sobre a realidade, tomar consciência dela e agir de modo coerente com essa consciência. E isso, de certo modo, já é “filosofar”, pelo menos um filosofar ao nível do senso comum. De fato, não é raro vermos pessoas simples, às vezes com pouca ou nenhuma escolaridade, que revelam um entendimento aguçado e bem elaborado da realidade em que vivem. Finalmente a Filosofia está presente na religião porque também na experiência religiosa nos deparamos com questões e conceitos (Deus, alma, morte etc.) que foram e continuam sendo objeto da reflexão e da elaboração dos filósofos. Portanto, se a Filosofia está contida na linguagem, no senso comum, no bom senso e na religião, podemos dizer então que ela está presente em todas as dimensões da vida humana, sendo, portanto, familiar a todas as pessoas. Afinal, toda atividade humana, mesmo aquelas que são predominantemente práticas (as diversas formas de trabalho manual, por exemplo), é sempre acompanhada de um pensar, de um saber, em suma, de um trabalho intelectual, racional, reflexivo. É nesse sentido que podemos afirmar que “todos os homens são ‘filósofos’”. Texto 2 – Bom conselho Chico Buarque Ouça um bom conselho Que eu lhe dou de graça Inútil dormir que a dor não passa Espere sentado Ou você se cansa Está provado Quem espera nunca alcança Venha meu amigo Deixe esse regaço Brinque com meu fogo Venha se queimar Faça como eu digo Faça como eu faço Aja duas vezes Antes de pensar Corro atrás do tempo Vim de não sei onde Devagar é que não se vai longe Eu semeio vento Na minha cidade Vou pra rua e bebo a tempestade 1. À luz dos conceitos de senso comum e bom senso extraídos do texto apresentado, comente o significado que têm para você os seguintes ditados: Se conselho fosse bom não se dava de graça. É só dormir que a dor passa. Quem brinca com fogo acaba se queimando. Quem espera sempre alcança. Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Pense duas vezes antes de agir. Devagar se vai ao longe. Quem semeia vento colhe tempestade. 2. Em seguida, compare-os à versão em que aparecem na canção Bom conselho, de Chico Buarque, e responda: a) O que a inversão, efetuada por Chico Buarque, provoca nos ditados? b) O que foi preciso ao compositor para chegar ao resultado por ele obtido? c) Como os conceitos de senso comum e bom senso podem ser associados a essas duas versões dos ditados? PESQUISA INDIVIDUAL 1. Encontre o poema Operário em construção, de Vinicius de Morais, e, valendo-se dos conceitos de senso comum e bom senso, analise a trajetória percorrida pela consciência do operário. 1. Reflita por alguns instantes sobre o significado da afirmação: Em seguida, responda: Você vê alguma relação entre a frase anterior e a formulada por Gramsci? 2. Observe que a palavra “filósofos” aparece entre aspas. O que isso quer dizer? Todo brasileiro é um técnico de futebol, embora nem todos exerçam essa função profissionalmente. Todos os homens são “filósofos”. Leitura e Análise de Texto Filósofos e “filósofos” Se “todos os homens são ‘filósofos’”, como quer Gramsci, qual é, então, a diferença entre o filosofar de uma pessoa comum e o de um filósofo profissional ou especialista? O próprio autor esclarece: “O filósofo profissional ou técnico não só ‘pensa’ com maior rigor lógico, com maior coerência, com maior espírito de sistema do que os outros homens, mas conhece toda a história do pensamento, isto é, sabe as razões do desenvolvimento que o pensamento sofreu até ele e está em condições de retomar os problemas a partir do ponto em que eles se encontram após terem sofrido a mais alta tentativa de solução etc. Ele tem, no campo do pensamento, a mesma função que nos diversos campos científicos têm os especialistas.”1 Trocando em miúdos, podemos dizer que o filósofo especialista: pensa, reflete, raciocina observando mais cuidadosamente as regras da lógica e os procedimentos metodológicos que utiliza; conhece a história do pensamento, isto é, a história da Filosofia; é capaz de analisar os problemas de seu tempo à luz da contribuição dos filósofos do passado que já se debruçaram sobre eles. Mas se existe essa diferença entre o filósofo especialista e o não especialista, por que então afirmar que “todos os homens são ‘filósofos’?” Justamente para combater e destruir aquele preconceito de que a Filosofia é uma atividade muito difícil e restrita a uma minoria. É importante perceber que a propagação desse preconceito cumpre uma função política conservadora, na medida em que afasta a Filosofia do contato com as massas, com o povo, com as pessoas mais simples. Dessa forma, impedidas de se apropriar dos conceitos e das teorias elaboradas pelos filósofos, as pessoas ficam desprovidas dessas ferramentas intelectuais que lhes permitiriam superar mais facilmente o senso comum e adquirir um conhecimento mais crítico e elaborado da realidade em que vivem. Além disso, cabe afirmar que todos os homens são “filósofos” para deixar claro que todas as pessoas são potencialmente capazes de avançar de um “filosofar” espontâneo, assistemático, restrito ao senso comum, para um filosofar mais elaborado e rigoroso, semelhante ao praticado pelos filósofos especialistas. Para isso, é necessário que a Filosofia e os filósofos estejam em permanente contato com o povo, a fim ajudarem a promover um avanço cultural de massa e não apenas de pequenos grupos intelectuais. Só através desse contato é que uma filosofia se torna “histórica”, depura-se de elementos intelectualistas de natureza individual e se transforma em “vida”. 1. Leia atentamente o texto apresentado e responda: a) Qual é a diferença entre o “filósofo” e o filósofo especialista, segundo Gramsci? b) Qual é o objetivo de Gramsci ao afirmar que todos os homens são “filósofos”? c) Explique por que a ideia de que a Filosofia é uma atividade muito difícil e acessível apenas a poucos privilegiados é politicamente conservadora. 2. Para você, o ensino de Filosofia na escola pode ser uma forma de aproximá-la do povo e de promover um avanço de massa? Justifique. Leia o texto a seguir e, com base no que estudou, explique o sentido das palavras do autor Leitura e Análise de Texto “É preciso destruir o preconceito, muito difundido, de que a filosofia é algo muito difícil pelo fato de ser a atividade intelectual própria de uma determinada categoria de cientistas especializados ou de filósofos profissionais e sistemáticos. É preciso, portanto, demonstrar, preliminarmente, que todos os homens são ‘filósofos’, definindo os limites e as características dessa ‘filosofia espontânea’ peculiar a ‘todo mundo’, isto é, da filosofia que está contida: 1) na própria linguagem, que é um conjunto de noções e de conceitos determinados e não, simplesmente, de palavras gramaticalmente vazias de conteúdo; 2) no senso comum e no bom senso; 3) na religião popular e, consequentemente, em todo o sistema de crenças, superstições, opiniões, modos de ser e de agir que se manifestam naquilo que se conhece geralmente por ‘folclore’.” A Filosofia como amor pelo saber 1. Interprete e escreva o que entendeu sobre a frase: O filósofo é aquele que se situa entre a ignorância e a sabedoria. 2. Com base no que estudou até aqui, escreva uma breve definição de Filosofia. A Filosofia é: 3. Qual é a diferença entre saber alguma coisa e opinar sobre ela? Leitura e Análise de Texto O que é, afinal, a Filosofia? Comecemos pela origem da palavra. Filosofia vem do grego (philo = amigo ou amante + sophia = saber, sabedoria) e significa amor ou amizade pelo saber. Quem ama sente-se carente do objeto amado e, por isso, vai à sua procura. No caso do filósofo, como o objeto de seu desejo é o saber, o conhecimento, é este que ele busca. Para explicar o sentido dessa atitude de busca do saber, própria da Filosofia, Platão, em sua obra O banquete, recria, pela boca de Sócrates, o mito do nascimento do Amor. Quando nasceu Afrodite, conta Sócrates, os deuses deram um banquete para celebrar a ocasião. Entre eles, encontrava-se também Recurso, filho de Prudência. Quando o jantar terminou, Pobreza chegou e postou-se à porta para esmolar. Recurso havia se embriagado e, dirigindo-se ao jardim de Zeus, adormeceu. Pobreza, aproveitando-se da situação, deitou-se ao seu lado e concebeu o Amor. Assim, gerado no dia do nascimento de Afrodite, Amor tornou-se seu companheiro e servo e, ao mesmo tempo, amante do belo, pois Afrodite é bela. Por ser filho de Pobreza e Recurso, ele é, por parte de mãe, “sempre pobre”, carente e padecedor de muitas necessidades; por parte de pai, porém, “ele é insidioso com o que é belo e bom, e corajoso, decidido e enérgico, caçador terrível, sempre a tecer maquinações, ávido de sabedoria e cheio de recursos, a filosofar por toda a vida, terrível mago, feiticeiro, sofista.” Por essa sua natureza dividida, Amor está no meio entre a sabedoria e a ignorância. A sabedoria é a condição daquele que já possui o saber e, por isso, não sente necessidade de buscá-lo. É o caso dos deuses. Por isso os deuses não filosofam. Os ignorantes, por sua vez, embora nada saibam, julgam saber o suficiente e, por isso, não anseiam por saber mais. Logo, também não filosofam. Quem então filosofa?, pergunta Sócrates. Aqueles que estão entre esses dois extremos: a sabedoria e a ignorância. Um deles é o Amor. “Com efeito, uma das coisas mais belas é a sabedoria, e o Amor é amor pelo belo, de modo que é forçoso o Amor ser filósofo e, sendo filósofo, estar entre o sábio e o ignorante. E a causa dessa sua condição é a sua origem: pois é filho de um pai sábio e rico e de uma mãe que não é sábia, e pobre.” Mas o saber que o filósofo almeja não é de um tipo qualquer. Não é, por exemplo, aquele do senso comum que se expressa como opinião e ao qual os gregos antigos denominavam doxa. O saber buscado pelo filósofo é Sophia, isto é, um saber bem fundamentado, amparado em demonstrações racionais, consistentes e passível de ser considerado verdadeiro, independentemente das opiniões particulares. O mesmo tipo de saber buscado por Sócrates por meio de seu método dialético. Não fosse assim o termo philosopho (amante do saber) deveria ser substituído por philodoxo (amante da opinião). Com base na leitura do texto apresentado, responda: 1. Em que sentido Platão afirma que filosofam aqueles que se encontram entre a sabedoria e a ignorância? 2. Em que consiste a diferença entre o philósopho e o philodoxo? 3. Qual desses adjetivos se aplica melhor a você? Justifique. A Filosofia como reflexão 1. Comente o significado da citação: “Se toda reflexão é pensamento, nem todo pensamento é reflexão.” 2. Em seguida, contemplando a obra de arte O pensador, responda: O que ela lhe diz sobre o conceito de reflexão? Leitura e Análise de Texto A Filosofia como reflexão Vimos que etimologicamente a palavra filosofia significa busca do conhecimento verdadeiro, ou seja, busca da verdade. A forma pela qual a Filosofia realiza essa busca da verdade é por meio da reflexão. Mas o que é refletir? Como nos lembra o professor Dermeval Saviani1: “se toda reflexão é pensamento, nem todo pensamento é reflexão”. O pensamento é um ato corriqueiro, singelo, espontâneo, que realizamos descompromissadamente a todo instante, até mesmo sem perceber. A reflexão, por sua vez, é uma atitude mais consciente, mais comprometida, que implica pensar mais profundamente sobre um determinado assunto, repensá-lo, problematizá-lo, submetendo-o à dúvida, à crítica, à análise, buscando seu verdadeiro significado. 1. Explique o significado da frase: Assim, o pensamento pode ser reflexivo ou não. Acontece que nem toda reflexão é filosófica. Segundo Saviani, para isso ela precisa satisfazer, ao mesmo tempo, a pelo menos três exigências: • ser radical, isto é, analisar em profundidade o problema em questão, buscando chegar às suas raízes, aos seus fundamentos; • ser rigorosa, ou seja, proceder com coerência, de forma sistemática, segundo um método bem definido para propiciar conclusões válidas e bem fundamentadas; • e ser de conjunto, isto é, tomar o objeto em questão não de forma isolada e abstrata, mas numa perspectiva de totalidade, ou seja, levando em consideração os diversos fatores que, num dado contexto, o determinam e condicionam. Além disso, vale lembrar que filosofar implica questionar o senso comum. Para tanto, é preciso utilizar certos conceitos e teorias necessários para a compreensão mais aprofundada dos temas e problemas sobre os quais se vai refletir. Ora, como estes conceitos e teorias estão contidos nas obras dos filósofos, é importante estudar tais obras, não para memorizar mecanicamente, mas para compreendê-las e a partir desta compreensão questionar o senso comum e transformar nossas representações primeiras sobre diferentes temas da vida cotidiana, da vida em sociedade. Mas, ao entrarmos em contato com a obra de um filósofo, não apreendemos apenas os conceitos por ele desenvolvidos. Apreendemos também o seu jeito de pensar, de raciocinar, de argumentar, de organizar as ideias, enfim, o seu “estilo reflexivo”2, o que também nos ajuda a melhorar cada vez mais nosso próprio jeito de pensar. É dessa forma, estudando o pensamento dos filósofos e nos exercitando mais e mais na prática da reflexão, que nos tornamos cada vez mais filósofos. A filosofia é uma “reflexão (radical, rigorosa e de conjunto) sobre os problemas que a realidade apresenta”. 2. Com base na definição de Filosofia proposta por Saviani, responda: Quem pode, afinal, filosofar? Leitura e Análise de Texto Para que serve a Filosofia? Qual é sua utilidade? Para responder a essa pergunta precisamos antes fazer algumas outras: O que entendemos por útil? Quem nos dá os critérios a partir dos quais consideramos algumas coisas úteis e outras inúteis? Conhecemos de fato esses critérios? Paramos para pensar sobre eles? Tomamos conscientemente a decisão de aceitá-los? Por que perguntamos sobre a utilidade de certas coisas e não de outras? Haveria pessoas ou grupos interessados em mostrar algumas coisas como úteis e outras como inúteis? Quando dizemos que, para nós, uma determinada coisa não serve para nada, estamos expressando um conhecimento efetivo sobre essa coisa ou, na verdade, apenas reproduzimos a “opinião” geral, o “senso comum”, a visão hegemônica a respeito dela? Estamos agindo com autonomia e liberdade? Poderíamos formular ainda inúmeros outros questionamentos derivados daquele inicialmente apresentado. E, ao fazê-lo, já estaríamos nos situando dentro da Filosofia, isto é, já estaríamos, num certo sentido, filosofando. Afinal, filosofar é, também, não aceitar como verdadeira qualquer ideia sem antes submetê-la à dúvida, à investigação, à reflexão crítica e rigorosa. Ora, isso significa que, para demonstrar com consistência a utilidade ou inutilidade da Filosofia, ou de qualquer outra coisa, já teríamos que filosofar. “[...] é preferível ‘pensar’ sem disto ter consciência crítica, de uma maneira desagregada e ocasional, isto é, ‘particular’ de uma concepção do mundo ‘imposta’ mecanicamente pelo ambiente exterior, ou seja, por um dos vários grupos sociais nos quais todos estão automaticamente envolvidos desde sua entrada no mundo consciente [...] ou é preferível elaborar a própria concepção do mundo de uma maneira crítica e consciente e, portanto, em ligação com este trabalho próprio do cérebro, escolher a própria esfera de atividade, participar ativamente na produção da história do mundo, ser o guia de si mesmo e não aceitar do exterior, passiva e servilmente, a marca da própria personalidade?” Com base na leitura dos excertos apresentados, discuta com seus colegas: 1. Para que serve, afinal, a Filosofia? 2. É importante estudar Filosofia na escola?

CONTEÚDOS DAS SITUAÇÕES 1 E 2 - 2ª SÉRIE - 1º BIMESTRE - AVALIAÇÃO 01

O EU RACIONAL Leitura e Análise de Texto Não sei se vos devo falar das primeiras meditações que aqui fiz, pois elas são tão metafísicas e tão pouco comuns que talvez não sejam do agrado de todos. No entanto, a fim de que se possa julgar se os fundamentos que tomei são bastante firmes, acho-me, de certa forma, obrigado a falar delas. Há muito tempo eu notara que, quanto aos costumes, por vezes é necessário seguir, como se fossem indubitáveis, opiniões que sabemos serem muito incertas, como já foi dito acima; mas, como então desejava ocupar-me somente da procura da verdade, pensei que precisava fazer exatamente o contrário, e rejeitar como absolutamente falso tudo em que pudesse imaginar a menor dúvida, a fim de ver se, depois disso, não restaria em minha crença alguma coisa que fosse inteiramente indubitável. Assim, porque os nossos sentidos às vezes nos enganam, quis supor que não havia coisa alguma que fosse tal como eles nos levam a imaginar. E, porque há homens que se enganam ao raciocinar, mesmo sobre os mais simples temas de geometria, e neles cometem paralogismos, julgando que eu era tão sujeito ao erro quanto qualquer outro, rejeitei como falsas todas as razões que antes tomara como demonstrações. E, finalmente, considerando que todos os pensamentos que temos quando acordados também nos podem ocorrer quando dormimos, sem que nenhum seja então verdadeiro, resolvi fingir que todas as coisas que haviam entrado em meu espírito não eram mais verdadeiras que as ilusões de meus sonhos. Mas logo depois atentei que, enquanto queria pensar assim que tudo era falso, era necessariamente preciso que eu, que o pensava, fosse alguma coisa. E, notando que esta verdade – penso, logo existo – era tão firme e tão certa que todas as mais extravagantes suposições dos cépticos não eram capazes de a abalar, julguei que podia admiti-la sem escrúpulo como o primeiro princípio da filosofia que buscava. Depois, examinando atentamente o que eu era e vendo que podia fingir que não tinha nenhum corpo e que não havia nenhum mundo, nem lugar algum onde eu existisse, mas que nem por isso podia fingir que não existia; e que, pelo contrário, pelo próprio fato de eu pensar em duvidar da verdade das outras coisas, decorria muito evidentemente e muito certamente que eu existia; ao passo que, se apenas eu parasse de pensar, ainda que tudo o mais que imaginara fosse verdadeiro, não teria razão alguma de acreditar que eu existisse; por isso reconheci que eu era uma substância, cuja única essência ou natureza é pensar, e que, para existir, não necessita de nenhum lugar nem depende de coisa alguma material. De sorte que este eu, isto é, a alma, pela qual sou o que sou, é inteiramente distinta do corpo, e até mais fácil de conhecer que ele, e, mesmo se o corpo não existisse, ela não deixaria de ser tudo o que é. Depois disso, considerei, de modo geral, o que uma proposição requer para ser verdadeira e certa; pois, já que eu acabava de encontrar uma que sabia ser tal, pensei que também deveria saber em que consiste essa certeza. E, tendo notado que em penso, logo existo nada há que me garanta que digo a verdade, exceto que vejo muito claramente que para pensar é preciso existir, julguei que podia tomar por regra geral que as coisas que concebemos muito clara e distintamente são todas verdadeiras, havendo, porém, somente alguma dificuldade em distinguir bem quais são as que concebemos distintamente. [...] DESCARTES, René. Discurso do método. São Paulo: Martins Fontes, 2009. p. 57, 58, 59, 60 e 61. A Filosofia cartesiana do "eu penso" nos ajudará na construção do sujeito ético, pois a compreensão de nossas ações, bem como a construção de relações sociais de acordo com referências democráticas, por exemplo, exigem reflexões que se fundamentam em nossa capacidade de cogitar, isto é, de questionar o que vivemos e o que desejamos viver. A Filosofia exige a habilidade da reflexão, que também é critério absoluto do agir ético. O individuo consciente de sua capacidade e de sua necessidade de pensar pode exercitá-las, na medida em que aprende como fazer. A importância do "eu penso" cartesiano é uma tentativa de criar condições para o desenvolvimento racional do indivíduo ético. Como pensamos? Há várias maneiras de dividir as atividades do intelecto. Para efeito didático, escolhemos, da tradição filosófica, as seguintes: juízo, percepção e razão. A partir da ideia do "eu penso", reflitam sobre seus pensamentos, segundo as funções intelectuais assim consideradas: • Juízo - atividade intelectual de escolha, avaliação e decisão (Aristóteles, Da Alma, III, 495). Da pergunta fundamental - "Qual o critério ou a regra dos nossos juízos?" -, podemos derivar outras tantas, como: por que escolhemos isto e não aquilo? Por que achamos mais importante isto e não aquilo? Por que tomamos esta decisão e não outra? • Percepção - Lembrando que percepção é o exame das sensações, podemos partir disso para conhecer o mundo. Por meio da percepção, nós não apenas ouvimos o som em uma festa, mas podemos compreender o ritmo, verificar se as pessoas estão felizes e enxergar seus movimentos de dança etc. Assim, as questões de caráter ético que podemos fazer agora são: como melhorar a percepção do mundo? Como sentir melhor e distinguir o que nos cerca? Por que um entendimento errado ou um mau juízo podem produzir tanto mal? • Razão - Por meio da razão, que é lógica, nós temos a regra para os cálculos em nosso pensamento. O que julgamos, percebemos, lembramos e até imaginamos, em geral, podem obedecer às regras da lógica. Assim, a pergunta ética que podemos propor é: como aprofundar nossa racionalidade, visando a fazer o bem? FACULDADES DO INTELECTO - FUTEBOL - PAQUERA - ENTREVISTA DE EMPREGO Juízo - Decidir para qual jogador passar a bola. Escolher a hora de driblar o zagueiro. Escolher com quem você quer jogar. Decidir a hora certa de se aproximar da pessoa. Escolher o assunto para começar a conversa. Julgar se você vai ou não ficar com essa pessoa. Decidir com que roupa ir para a entrevista. Decidir a melhor maneira de cumprimentar o entrevistador. Julgar o que ressaltar no currículo. Percepção - Tentar sentir o time adversário, o que os deixa desanimados, tensos ou os estimula a jogar melhor. Perceber como é o árbitro, se ele é exigente, se é justo, se é rápido. Sentir a vibração ou descontentamento da torcida. Sentir se a pessoa em quem você está interessado tem ou não interesse por outra pessoa. Sentir se, neste momento, a pessoa está preparada para o que você tem a dizer. Sentir se ficar com essa pessoa realmente vai ser legal. Perceber qual a personalidade do entrevistador, se ele curte brincadeiras ou piadinhas. Sentir se o entrevistador está gostando do que você fala durante a entrevista. Razão - Como organizar todas essas informações. Montar uma estratégia com o time, de forma que todas as informações que temos nos ajudem a ganhar. Falar de forma clara para os atacantes: como eles devem se posicionar e qual o esquema de jogo. Como elaborar uma estratégia para conquistar a pessoa. Deixar claras as suas intenções. Saber articular as palavras, para que não fique nada que deixe a pessoa constrangida. Deduzir o que realmente o entrevistador deseja. Não se mostrar confuso na hora de responder às perguntas. Mostrar que sabe articular ideias e, assim, convencer o entrevistador a respeito da sua inteligência, merecendo, portanto, o emprego. INTRODUÇÃO À ÉTICA CINCO JOVENS DE CLASSE ALTA AGRIDEM DOMÉSTICA. Uma empregada doméstica, de 32 anos, foi espancada e roubada, na manhã do dia 24 de junho de 2007, quando saía do seu trabalho. Os espancadores eram cinco jovens ricos, todos estudantes. Eles não apresentavam sinais de ter ingerido álcool ou outra substância química. A mulher relatou à polícia que, por volta das 6h30, estava em um ponto de ônibus, perto do apartamento onde trabalha e mora, para ir a uma consulta médica. De repente, saindo de um automóvel, os cinco jovens começaram a xingá-la e a chutá-la na cabeça e na barriga. Depois, roubaram sua bolsa, com seus documentos, 47 reais e um celular, que nem tinha sido completamente pago. Após a agressão, ela voltou ao prédio em busca de ajuda. Um taxista, que estava próximo ao local do crime, anotou a placa do carro e notificou a polícia, que prendeu os jovens. Os agressores confessaram o crime, mas nada falaram sobre os motivos que os levaram a cometer o ato de crueldade. DIFERENÇAS ENTRE MORAL E ÉTICA. MORAL E ÉTICA A moral é um conjunto de princípios e regras socialmente definidos e que devem ser inculcados nos indivíduos para padronizar condutas, costumes e valores. Cada cultura tem uma moral, isto é, regras sobre o bem e o mal, o permitido e o proibido. A reflexão ética deve questionar, problematizar as normas morais e, por isto, a ética não é essencialmente normativa. A ética deve refletir sobre as regras morais para garantir solidariedade, respeito, e, em última análise, a preservação da vida. VÍCIOS E VIRTUDES EM ARISTÓTELES (Vício por deficiência) – (Virtudes - atitudes que nos levam à felicidade) – (Vício por excesso) Covardia: ter medo de tudo ou deixar que o medo o domine. Coragem: saber enfrentar os medos e perigos, calculando a hora de agir. Temeridade: não ter medo de nada e se arriscar em todas as situações de perigo. Insensibilidade: não desejar nada e ser insensível. Temperança: saber usar os prazeres sem se prejudicar. Libertinagem: viver somente atrás de prazeres. Avareza: jamais gastar o dinheiro e querer guardar sempre o que tem, além de ganhar mais. Liberalidade: saber gastar o dinheiro, escolhendo onde gastá-lo. Esbanjamento: nunca economizar com nada, gastar sem pensar. Vileza: nunca usar nada bonito – roupa, por exemplo – e criticar os outros por isso. Magnificência: saber usar coisas bonitas. Vulgaridade: exagerar nas coisas bonitas. Modéstia: achar que é menor que os outros, ou mais feio, ou errado. Respeito próprio: reconhecer seus defeitos e qualidades e não deixar as pessoas diminuírem sua autoestima. Vaidade: preocupar-se apenas com sua grandiosidade e jamais aceitar seus defeitos. Indolência: nunca fazer nada para si e para os outros, procurando só o que é mais fácil. Prudência: saber a hora e como agir para alcançar seus objetivos. Ambição: ir atrás de suas coisas, sem pensar em nada. Indiferença: ignorar as pessoas completamente. Gentileza: ser agradável com todas as pessoas, conter a raiva. Irascibilidade: deixar que as emoções tomem conta, a ponto de ser violento com as pessoas, nas palavras e nas ações. Descrédito próprio: Não se achar bom em nada. Veracidade: ser verdadeiro e receber crédito por isso, saber seus limites, saber que é bom em alguma coisa e que não é bom em outras. Orgulho: achar-se melhor que os outros, nunca aceitar que precisa dos outros. Rusticidade: nunca usar a inteligência para viver, agindo sempre por instinto. Agudeza de espírito: saber usar a inteligência de modo brilhante. Zombaria: humilhar quem não tem as habilidades intelectivas. Enfado: ser chato, pesado, incapaz de dizer uma coisa boa para as pessoas. Amizade: saber se relacionar com as pessoas por meio do afeto e da inteligência. Condescendência: querer ser amigo de todos, perdoar tudo de todos, nunca ver maldade nos outros. Desavergonhamento: mostrar tudo o que tem a ponto de não sobrar nada para si. Comedimento: saber como se mostrar para os outros. Timidez: ter medo de mostrar seus sentimentos e seus pensamentos para os outros. Malevolência: não se importar com a maldade e usá-la a seu favor. Justa indignação: saber quando uma coisa está certa ou errada. Inveja: não aceitar que as pessoas tenham sucesso. ALGUMAS MÁXIMAS DE EPICURO I. Aquele que dispõe de plenitude e de imortalidade não tem inquietações nem perturba os outros; por isso está isento de impulsos de cólera ou de benevolência, já que tudo isso é próprio de quem tem fraquezas. II. A Morte nada é para nós. Com efeito, aquilo que está decomposto é insensível e a insensibilidade é o nada para nós. III. O limite da amplitude dos prazeres é a supressão de tudo que provoca dor. Onde estiver o prazer, e durante o tempo em que ele ali permanecer, não haverá lugar para a dor corporal ou o sofrimento mental, juntos ou separados. IV. A dor contínua não dura longamente na carne. A que é extrema permanece muito pouco tempo e a que ultrapassa um pouco o prazer corporal não persiste muitos dias. Quanto às doenças que se prolongam, elas permitem à carne sentir mais prazer do que dor. [...] VIII. Nenhum prazer é em si mesmo um mal, mas aquilo que produz certos prazeres acarreta sofrimentos bem maiores do que os prazeres. IX. Se todo prazer pudesse ter se acumulado, não só persistindo no tempo, mas também percorrendo a inteira composição do nosso corpo, ou pelo menos as principais partes de nossa natureza, então os prazeres não difeririam entre si. [...] XVII. O justo desfruta de plena serenidade; o injusto, porém, está cheio de maior perturbação. [...] XXIII. Se combates todas as tuas sensações, nada disporás de referência nem mesmo para discernir corretamente aquelas que julgas deverem ser rejeitadas. [...] XXVII. De tudo aquilo de que dispõe a sabedoria para a felicidade de toda nossa vida, de longe o mais importante é a preservação da amizade. EPICURO FEZ, AINDA, RECOMENDAÇÕES PRECISAS SOBRE COMO CHEGAR À FELICIDADE: 1. Não tenha medo dos deuses. Os deuses são felizes, e seres felizes não estão preocupados com a vida dos outros. 2. Não tenha medo da morte. A morte nada mais é do que a separação dos átomos. 3. O prazer está à disposição de todos. Ele é o fim das dores e o sossego. 4. O mal dura pouco. O mal é a dor e dura pouco; o máximo que ela pode fazer é levar à morte, que, no fundo, é nada. Quando a dor termina, começa o prazer. Prof. Manoelito

CONTEÚDOS DAS SITUAÇÕES 1 E 2 - 1 ª SÉRIE - 1º BIMESTRE - AVALIAÇÃO 01

CRIANDO UMA IMAGEM CRÍTICA DA FILOSOFIA Leitura e Análise de Texto “Por toda parte eu vou persuadindo a todos, jovens e velhos, a não se preocuparem exclusivamente, e nem tão ardentemente, com o corpo e com as riquezas, como devem preocupar-se com a alma, para que ela seja quanto possível melhor, e vou dizendo que a virtude não nasce da riqueza, mas da virtude vem, aos homens, as riquezas e todos os outros bens, tanto públicos como privados.”PLATÃO. Apologia de Sócrates. Tradução Maria Lacerda de Souza. Disponível em: . Acesso em: 6 out. 2009. Leitura e Análise de Texto “Ao considerar o conhecimento como se encontrando entre as coisas mais belas e dignas do maior valor, sendo umas mais penosas do que outras, quer em virtude do seu rigor, quer em virtude de dizer respeito a coisas mais belas e elevadas, decidimos, devido a essas duas mesmas causas, considerar toda a investigação respeitante à alma como sendo de importância fundamental. Além disso, parece esta investigação também constituir uma contribuição especial para todo o conhecimento da verdade, particularmente para o estudo da natureza – a alma é, com efeito, o princípio de todos os seres vivos. Por isso procuramos, ao investigar, examinar a natureza e a essência da alma em primeiro lugar e, depois, os seus atributos fundamentais.” ARISTÓTELES. Da alma. Tradução Carlos Humberto Gomes. Lisboa: Edições 70, 2001. p. 23. Para os gregos, a “alma” era o lugar onde se situavam as ideias; mais tarde, esse “espaço” para ideias foi chamado de intelecto. Diferente do corpo, o intelecto é inteligível. Mas, assim como o corpo, ele pode ser melhorado. REFLEXÃO DO ESPELHO X A REFLEXÃO INTELECTUAL Reflexão do espelho: Necessita somente de luz - Apenas reflete o que está à sua frente - Apenas reflete as imagens presentes - Apenas reflete o que é visível - Caso não funcione direito, pode ser descartado - Não pode refletir a si mesmo. A reflexão intelectual: precisa de ideia e conhecimento. O intelecto pode refletir sobre coisas escondidas ou ausentes, assim como pessoas que moram longe e de quem gostamos; "Reflete sobre coisas do passado e pensa o futuro. em relação ao presente, ela trata dos sentidos, dos valores e das interpretações que fazemos do que podemos ver e do que apenas percebemos da realidade; Reflete sobre coisas “invisíveis”, ou abstratas, como o amor, a saudade ou as ideias, sem esquecer a Filosofia. COMO FUNCIONA O INTELECTO? INTRODUÇÃO AO EMPIRISMO E AO CRITICISMO JOHN LOCKE Leitura e Análise de Texto “Suponhamos, pois, que a mente é, como dissemos, um papel branco, desprovida de todos os caracteres, sem quaisquer ideias; como ela será suprida? De onde lhe provém este vasto estoque, que a ativa e que a ilimitada fantasia do homem pintou nela com uma variedade quase infinita? De onde apreende todos os materiais da razão e do conhecimento? A isso respondo, numa palavra: da experiência. Todo o nosso conhecimento está nela fundado, e dela deriva fundamentalmente o próprio conhecimento. Empregada tanto nos objetos sensíveis externos como nas operações internas de nossas mentes, que são por nós mesmos percebidas e refletidas, nossa observação supre nosso entendimento com todos os materiais do pensamento. Dessas duas fontes de conhecimento jorram todas as nossas ideias, ou as que possivelmente teremos. Primeiro, nossos sentidos, familiarizados com os objetos sensíveis particulares, levam para a mente várias e distintas percepções das coisas, segundo os vários meios pelos quais aqueles objetos a impressionaram. Recebemos, assim, as ideias de amarelo, branco, quente, frio, mole, duro, amargo, doce e todas as ideias que denominamos qualidades sensíveis. Quando digo que os sentidos levam para a mente, entendo com isso que eles retiram dos objetos externos para a mente o que produziu estas percepções. A esta grande fonte da maioria de nossas ideias, bastante dependente de nossos sentidos, dos quais se encaminham para o entendimento, denomino sensação. A outra fonte pela qual a experiência supre o entendimento com ideias é a percepção das operações de nossa própria mente, que se ocupa das ideias que já lhe pertencem. Tais operações, quando a alma começa a refletir e a considerar, suprem o entendimento com outra série de ideias que não poderia ser obtida das coisas externas, tais como a percepção, o pensamento, o duvidar, o crer, o raciocinar, o conhecer, o querer e todos os diferentes atos de nossas próprias mentes. [...] Mas, como denomino a outra de sensação, denomino esta de reflexão: ideias que se dão ao luxo de serem tais apenas quando a mente reflete sobre as próprias operações”. LOCKE, John. Ensaio acerca do entendimento humano. Tradução Anoar Aiex e E. Jacy Monteiro. São Paulo: Nova Cultural, 1983. (Os Pensadores). p. 159-160. A TELEVISÃO OU O RÁDIO X O ENTENDIMENTO OU O INTELECTO A televisão ou o rádio: Capta o mundo pela antena ou cabo. Decodifica o sinal. Depois de decodificar, transforma o sinal em imagem ou som. Só decodifica o sinal dos canais. Não aprende nada com o que capta. Não pode refletir sobre o que capta. O entendimento ou o intelecto: Capta o mundo pelos cinco sentidos. Analisa e interpreta as experiências. Depois de interpretá-las, transforma as experiências em ideias. Interpreta tudo o que aparece aos sentidos e pode experimentar outras coisas. Aprende ou pode aprender com tudo o que capta. Pode refletir sobre o que consegue captar e, inclusive transmitir para outras pessoas os conhecimentos. Leitura e Análise de Texto Introdução Podemos afirmar que todos os nossos conhecimentos têm origem em nossa experiência. Se fosse ao contrário, por meio do que a faculdade de conhecimento deveria ser exercitada senão por objetos que tocam nossos sentidos e em parte produzem por si mesmos representações, em parte colocam em movimento a atividade do nosso entendimento para compará-las, reuni-las ou separá-las e, dessa maneira, proceder à elaboração da matéria informe das impressões sensíveis até um conhecimento das coisas, o que se denomina experiência? Portanto, no tempo nenhum conhecimento antecede a experiência; todos começam por ela. Porém, nosso conhecimento empírico é formado pelo que recebemos das impressões e pelo que a nossa faculdade de conhecer lhe adiciona estimulada pelas impressões dos sentidos; aditamento que somente distinguimos por longa prática que nos capacite a separar esses dois elementos. Eis aí uma questão que merece reflexão: Existe mesmo um conhecimento que não depende da experiência e das impressões dos sentidos? KANT, Immanuel, Crítica da razão pura. Tradução Lucimar A. Coghi Anselmi; Fulvio Lubisco. São Paulo: Icone, 2007. p. 5 (Coleção Fundamentos do Direito). Prof. Manoelito

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O que é Educação?


Segundo alguns dicionários, educação é a "Ação e o efeito de educar, de desenvolver as faculdades físicas, intelectuais e morais da criança e, em geral, do ser humano; disciplinamento, instrução, ensino". A Educação instrumentaliza os seres humanos para que possam atingir novos conhecimentos, desenvolver seu potencial criativo, enfrentar desafios, relacionar as informações e tirar as próprias conclusões. O pensar, o criar, e o agir consciente libertam os seres humanos e os transformam em sujeitos de sua história. O ser humano é um animal consciente de si próprio e de suas relações com o meio ambiente e com os demais indivíduos. Por isso, passa a ser responsável por todos os processos em que está envolvido. A Educação trabalha o indivíduo como um todo, ajuda as pessoas a elucidar as incertezas, ou seja, buscar os porquês. Sem essa busca a Educação seria repetitiva, fechada em si mesma, assemelhando-se a simples adestramento, treinamento sem criatividade, decadente instrumento ideológico de dominação ou mera formação de força de trabalho a ser explorada por algum grupo dominante de plantão. O grande desafio da Educação passa por moldar um ser pensante, formar um estudante para que se torne cidadão integral, orientado por conceitos próprios e valores reais, em prol do desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária. A Educação é um caminho a ser percorrido e não simples meta a ser atingida. Durante esse caminho forma-se um conjunto de valores e saberes que levam o homem ao discernimento e à escolha de seu rumo. Somente assim poderá o ser humano considerar-se livre. Prof. Manoelito Referencias bibliográficas: http://boletimodiad.blogspot.com.br/reflexoesfilosóficas

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A Procura da Felicidade

A Procura da Felicidade Vivemos em um mundo extremamente competitivo, onde todos lutam para conquistar o seu lugar no espaço. Muitas vezes, essas lutas se transformam em uma verdadeira guerra de todos contra todos, uns lutam para conseguir o seu objetivo com honestidade e responsabilidade. Outros lutam sem se preocupar com o próximo, passando por cima de tudo e de todos, ignorando os bons costumes e atropelando a ética. Ainda temos aqueles que pensam ser a riqueza a própria felicidade. Se parasse um pouco para refletir, descobriria que a riqueza é apenas um meio que, se for racionalmente utilizado, poderá trazer momentos felizes. Segundo Aristóteles, tudo o que fazemos em nossas vidas é em busca de algum bem, esse bem não é fim, mas, um meio para se alcançar a felicidade que é o bem maior e desejado por todos. O que é felicidade? Será que a felicidade realmente existe? Qual a melhor forma de alcançá-la? Felicidade é o estado de uma pessoa feliz, uma sensação de bem estar e contentamento, que pode ocorrer por diversos motivos. A felicidade é um momento durável de satisfação, onde o indivíduo se sente plenamente feliz e realizado, um momento onde não há nenhum tipo de sofrimento. A felicidade é o que os antigos gregos chamavam de eudaimonia, um termo ainda usado em ética. Para as emoções associadas à felicidade, os filósofos preferem utilizar a palavra prazer. Felicidade não é o que acontece na nossa vida, mas como nós elaboramos esses acontecimentos. “A diferença entre o sábio e o ignorante é que o primeiro sabe aproveitar suas dificuldades para evoluir, enquanto o segundo se sente vítima de seus problemas” Para Sócrates, o homem não é só o corpo, mas, principalmente, a alma. Assim, a felicidade era o bem da alma que só podia ser atingido por meio de uma conduta virtuosa e justa. Para Platão, todas as coisas têm sua função. Assim, como a função do olho é ver e a do ouvido, ouvir, a função da alma é ser virtuosa e justa, de modo que, exercendo a virtude e a justiça, ela obtém a felicidade. Aristóteles conclui que a maior virtude de nossa “alma racional” é o exercício do pensamento, pelo quê, segundo ele, a felicidade chega a se identificar com a atividade pensante do filósofo, a qual, inclusive, aproxima o ser humano da divindade. Ele considera a política como uma extensão da ética e, nesse sentido, para ele também é uma função do Estado criar condições para o cidadão ser feliz. O Filósofo alemão Immanuel Kant definiu a felicidade como a "condição do ser racional no mundo, para quem, ao longo da vida, tudo acontece de acordo com seu desejo e vontade". E para você o que é “FELICIDADE”? Bibliografia http://educacao.uol.com.br/disciplinas/filosofia/filosofia-e-felicidade-o-que-e-ser-feliz-segundo-os-grandes-filosofos-do-passado-e-do-presente.htm#fotoNav=7 Prof. Manoelito