segunda-feira, 8 de agosto de 2016

FILOSOFIA E CIÊNCIA: APROXIMAÇÔES E DISTANCIAMENTOS


O Objetivo é pensar nas semelhanças e diferenças entre o discurso filosófico e o discurso científico.
FILOSOFIA E CIÊNCIA: UMA ORIGEM COMUM E UM DESTINO DE SEPARAÇÃO
No momento de origem da Filosofia, na Antiguidade Grega, não havia distinções entre Filosofia e Ciência. Filosofia era considerada o conjunto de todos os conhecimentos: físicos e metafísicos. A leitura dos textos de Aristóteles, por exemplo, revela que este autor escreveu sobre a alma e sobre a natureza, sem distinguir os campos de conhecimento científicos e filosóficos como fazemos atualmente.
O saber filosófico contemplava uma enorme diversidade de conhecimentos, uma vez que os primeiros filósofos colocavam-se questões relativas aos campos que hoje são identificados como Matemática, Biologia, Física, lógica, Música, Teatro, Astronomia, Política e Ética. O mundo a ser compreendido abarcava questões em torno de dois grandes temas: a natureza e o homem. E como não havia acúmulo de conhecimentos associados a nenhum dos dois temas, a Filosofia foi se constituindo como um campo amplo de perguntas e respostas sobre o mundo natural e o mundo humano. Essa abordagem ampla da Filosofia preservou-se até o período medieval, quando a Teologia se constitui como campo dos estudos sobre Deus e sobre a fé.
A partir do Renascimento e durante a Idade Moderna, Física, Matemática, Química e Biologia foram conquistando autonomia em relação à Filosofia e delimitando campos específicos de investigação de seus objetos num processo que se estende por séculos. Newton e Descartes são autores cujas obras registraram aspectos que sugerem uma transição, na qual a Filosofia se separa da Ciência. O livro em que Newton apresenta leis da mecânica chama-se Princípios matemáticos de filosofia natural. Um livro de Descartes, que se chama Princípios de Filosofia, está dividido em quatro partes, denominadas, Dos princípios do conhecimento humano, Dos princípios das coisas materiais, Do mundo visível e A Terra.
Foi fundamental para a separação entre Filosofia e Ciência a formulação sobre o método científico, que tem início no Renascimento, nos séculos XIV, XV e XVI, e se consolida nos séculos XVII, XVIII e XIX. Essa formulação entende que os conhecimentos sobre a natureza devem ser passíveis de observação e experimentação para verificação de hipóteses. O próprio conceito de Ciência ganha essa forte significação de conhecimentos, que podem ser observados e experimentados para comprovação ou negação.
Outra ideia formulada no interior das Ciências, sobretudo a partir do século XIX, serve para especificá-la diante da Filosofia: a neutralidade do cientista em relação ao objeto de conhecimento. Segundo essa concepção, de que é preciso ser neutro diante do objeto investigado, o cientista não deveria interpretar e decidir quais dados selecionar entre aqueles que vai encontrando no processo de pesquisa científica. Essa concepção contemplava a visão de que os dados deveriam falar por si próprios, sendo o papel do cientista evidenciá-los. Muitas vezes, diante dessa perspectiva, considera-se que, de modo geral, os filósofos posicionam-se pensando seus temas valendo-se de sua visão de mundo, a qual condiciona sua interpretação, o que contrastaria com a neutralidade da Ciência. Filosofia e Ciência deveriam, assim, construir caminhos separados para o conhecimento.
Em síntese, pode-se afirmar que Filosofia e Ciência nascem juntas como conjunto de conhecimentos sobre a natureza e a sociedade humana e separam-se de forma vagarosa, ao longo de pelo menos seis séculos, nos quais uma determinada visão de Ciência, baseada na observação, experimentação, comprovação de hipóteses e suposta neutralidade, contribuiu para essa separação e caracterização dos discursos filosóficos e científicos, com a qual nos ocupamos neste Caderno. Aliada a essa visão de Ciência, tivemos ainda a crescente especialização dos saberes e a criação de campos de disciplinas como conhecemos atualmente. Nos séculos XIX e XX, uma nova visão de Ciência é formulada, baseada na ideia de que nem sempre são possíveis comprovações ou experimentações e é impossível a neutralidade do cientista, uma vez que ele necessariamente interpreta, seleciona e se posiciona de forma interessada diante de seus dados.
Como aproximações entre discurso filosófico e discurso científico, podemos destacar:
• a curiosidade e o conjunto de perguntas sobre a realidade que inspiram ambas as investigações;
• o esforço de explicitação de ideias que filósofos e cientistas empreendem;
• a construção de argumentação que permita a comunicação dos saberes formulados, investigados;
• a utilização de metáforas para oferecer imagens mais próximas a saberes já conhecidos no esforço de comunicação dos novos conhecimentos.
Como diferenças, podemos destacar:
• a Filosofia utiliza diversos gêneros textuais para expressar suas ideias: cartas, poemas, diálogos, ensaios. A Ciência não faz uso de tão diverso universo de gêneros textuais e seu gênero é o relatório de pesquisa e o artigo científico. A Filosofia questiona métodos e finalidades da Ciência. A Ciência utiliza instrumentos para construir dados e a Filosofia não está associada ao uso de instrumentos;
• as definições dos termos em Ciência são especificadas de forma que se generalize seu significado e, em Filosofia, um termo ou expressão pode ter diferentes significados, a depender do contexto e da formulação argumentativa do autor. Exemplo: a palavra “átomo”, em Química, e a palavra “sujeito”, em Filosofia. É comum usarmos as expressões: “Marx entende o sujeito como...”; “Para Foucault, o significado da palavra sujeito é...”; “Em Deleuze, o sujeito é...”; ou “Descartes afirmava que o sujeito constitui-se em...”.
Vamos realizar uma comparação entre esses dois tipos de discurso. Para isso, faremos a leitura dos próximos dois textos: um filosófico, de Michel de Montaigne, e outro tipicamente científico, retirado de um relatório sobre violência no Brasil.
DE COMO FILOSOFAR É APRENDER A MORRER
"Para Cícero, filosofar não é outra coisa que preparar-se para a morte. Talvez porque o estudo e a contemplação tiram a alma para fora de nós, separam nossa alma do corpo, o que, em suma, se assemelha à morte e constitui como que um aprendizado em vista dela. Ou então é porque de toda sabedoria e inteligência resulta, finalmente, que aprendemos a não ter receio da morte. Em verdade, ou nossa razão falha ou seu objetivo único deve ser a nossa própria satisfação, e seu trabalho tender para que vivamos bem, e com alegria, como recomenda a Sagrada Escritura. [...]  Não sabemos onde a morte nos aguarda, e por isto a esperamos em toda parte. Refletir sobre a morte é refletir sobre a liberdade; quem aprendeu a morrer, desaprendeu de servir; nenhum mal atingirá quem na existência compreendeu que a privação da vida não é um mal: saber morrer nos libera de toda sujeição e constrangimento". [...]
RELATÓRIO CIENTÍFICO: DADOS DE MORTALIDADE NO BRASIL
[...] "As lesões não intencionais e as violências constituem a primeira causa de mortalidade registrada na faixa etária de 15 a 60 anos, representando 30% do total de óbitos de causas determinadas em 1994'. Os homicídios e os acidentes de trânsito produzem impacto substancial na força de trabalho dos grandes centros urbanos, tendo sido responsáveis, em conjunto, por 28,7% dos anos de trabalho potencialmente perdidos (ATPP) em 1987. Seguem-se, em ordem decrescente de importância, as doenças do aparelho circulatório (24%) e as neoplasias (13%). A distribuição por subgrupos de idade mostra forte predominância das causas externas nos estratos de 15-19 e 20-29 anos (71% e 62%, respectivamente). Esse grupo de causas ocupa o primeiro lugar também entre 30-39 anos (38%), em que também há participação importante das doenças do aparelho circulatório (16%) e das doenças endócrinas e metabólicas (12%). Nos grupos etários de 40-49 e de 50-59 anos predominam as doenças do aparelho circulatório (30% e 39%, respectivamente), seguindo-se as neoplasias (16% e 21%) e as causas externas (20% e 9%). Cerca de 70% dos óbitos em todo o grupo adulto corresponderam ao sexo masculino." [...]
Questões:
1.       Como era a Filosofia no momento de sua origem na Antiguidade Grega?
2.       Quais as questões colocadas pelos primeiros filósofos?
3.       Até quando se preservou a abordagem ampla da Filosofia?
4.       Fale sobre a filosofia a partir do Renascimento e durante a Idade Moderna.
5.       O que foi fundamental para a separação entre Filosofia e Ciência?
6.       Em síntese, o que se pode afirmar de Filosofia e Ciência?
7.       Como aproximações, o que podemos destacar entre discurso filosófico e discurso científico?
8.       Como diferenças, o que podemos destacar entre o discurso filosófico e discurso científico?
9.       Qual a diferença entre os dois textos citados acima?
10.   Responder o caderno do aluno da página 05 a 11.


Prof. Manoelito

DIVISÃO SOCIAL DO TRABALHO


O objetivo deste tema é trazer elementos para pensar sobre as diferentes formas de trabalho na história da humanidade, com destaque para as características específicas do trabalho na sociedade capitalista. Nesse sentido, serão discutidos conceitos como divisão social e divisão manufatureira do trabalho, relações de trabalho e alienação. Para isso, vamos começar fazendo a leitura compartilhada do poema “A trama da rede”, de Carlos Brandão. Esse poema foi escrito tendo como referência a leitura de trechos da obra mais importante escrita por Karl Marx, O capital, nos quais ele fala dos operários e dos usos de seus corpos no processo de produção de mercadorias. Como diz Carlos Brandão, são “alegorias [exposição de um pensamento sob forma figurada] sobre o trabalho”, escritas para um documentário sobre a produção artesanal de redes no Ceará.
Divisão social do trabalho e divisão manufatureira do trabalho
O que vocês entendem por sociedade moderna. A sociedade moderna teve início em meados do século XV, e sua constituição foi marcada pelos processos de urbanização, que se iniciaram no século XII, e de industrialização, que viriam a se intensificar na Inglaterra, no século XVIII. Essa sociedade resultou de um processo de transformação, em que se constituíram um novo modo de trabalhar, relações sociais diferentes e um novo modo de vida marcado pelo desenvolvimento industrial. Para compreendermos melhor esse processo histórico, vamos fazer a leitura do texto a seguir.
“O esfacelamento do mundo feudal consistiu em um longo processo, no qual as velhas formas de trabalho artesanal foram sendo substituídas pelo trabalho em domicílio, a partir do campo, produzindo para as indústrias em desenvolvimento nas cidades. Assim, durante o século XIV, foram desenvolvidas as indústrias rurais em domicílio, como forma de aumentar a produção. Os comerciantes distribuíam a matéria-prima nas casas dos camponeses e ali era executada uma parte ou a totalidade do trabalho. Essas indústrias representaram uma forma de transição entre o artesanato e a manufatura e permitiram a acumulação de capital nas mãos desses comerciantes, além de formar mão de obra para o trabalho industrial nas cidades”,
O significado de manufatura: a palavra vem do latim e quer dizer trabalho manual. Para o seu desenvolvimento foi necessária a existência de dois fatores:
a) 1º fator: Um empresário com capital para comprar a matéria-prima e ferramentas e concentrar em sua oficina um grande número de trabalhadores. Em vez de distribuir esses meios de produção nas casas dos trabalhadores, o comerciante transformado em industrial os junta sob um mesmo teto, criando, assim, a manufatura. O Canto I do poema de Carlos Brandão – o autor está justamente se referindo a esse processo de concentração de produção em um único local.
b) 2º fator: A existência de trabalhadores livres, ou seja, que não são mais donos dos meios de produção e dependem, para a sua sobrevivência, da venda de seu trabalho, ou seja, sua força de trabalho, transformando-se, assim, em trabalhadores assalariados.
Para melhor entender esse tema, leiam o texto “A divisão do trabalho”, disponível no Caderno do Aluno.
Sobre a divisão sexual do trabalho, a fiação e a tecelagem foram comumente vistas como atividades femininas, enquanto a caça, a pesca e a pecuária eram tidas como atividades masculinas. Antigamente, eram destinadas às mulheres as ocupações relacionadas com o cuidado da casa, como cozinhar, lavar, limpar e cuidar dos filhos. Hoje, já temos homens cozinheiros, faxineiros etc. Uma ideia muito recorrente em diversas épocas e culturas é a de que existem trabalhos que as mulheres não são capazes de realizar e outros que elas realizariam muito melhor que os homens.
Você conhece outros exemplos de trabalhos que antes eram executados só por homens e que hoje são executados por mulheres ou vice-versa?
Para melhor entendermos as questões relacionadas à divisão de trabalho na manufatura, vamos fazer a leitura dos textos “A manufatura se estendeu de meados do século XVI ao último terço do século XVIII” e “Uma das características mais distintivas do sistema econômico das sociedades modernas é a existência de uma divisão do trabalho” que se encontra no Caderno do Aluno.
No capitalismo, com o aumento da divisão do trabalho, cada trabalhador passou a depender cada vez mais das atividades de outro trabalhador para conseguir viver, nós precisamos das atividades de outras pessoas para sobreviver. A sociedade está organizada de forma que os indivíduos possuem ocupações diversas, interdependentes entre si para garantir a dinâmica de funcionamento da sociedade, dependemos de padeiros, açougueiros, agricultores etc. para obter alguns itens básicos de nossa alimentação; do motorista de ônibus ou maquinista de trem para nos deslocarmos pela cidade; do inspetor e de faxineiros, por exemplo, para estar em um espaço escolar em ordem e limpo; de pessoas na secretaria da escola para resolver questões administrativas etc.
Relações de trabalho e alienação
Com o objetivo de aprofundar essa discussão, leiam o texto “A produção capitalista” que está disponível no Caderno do Aluno.
No processo de produção capitalista, temos não só a produção de mercadorias, mas essencialmente a produção de relações sociais. Se há capitalistas e trabalhadores, isso implica não só posições definidas no processo de produção, mas também na sociedade. Ocorre a separação entre a concepção e a execução do trabalho; ou seja, o trabalho pode resultar da concepção de uma pessoa e a execução de outra. Isso é produto da divisão do trabalho.
Questões:
1.      O que vocês entenderam desse poema?
2.      O que vocês entendem por sociedade moderna e quando ela teve início?
3.      Em que consistiu o esfacelamento do mundo feudal?
4.      Qual o significado de manufatura e o que foi necessário para o seu desenvolvimento?
5.      Explique a divisão do trabalho.
6.      Fale sobre a divisão sexual do trabalho.
7.      Antigamente, quais as ocupações eram destinadas às mulheres? Explique.
8.      Explique como se deu o processo de substituição da manufatura pela grande indústria.
9.      O que acontece com o ser humano, na divisão manufatureira do trabalho?
10.  Por que a divisão do trabalho é uma das características mais distintivas do sistema econômico das sociedades modernas?
11.  Quais as consequências da divisão do trabalho, Para Marx?
12.  Por que, para Marx, o trabalho livre, assalariado, é trabalho alienado?
13.  Responder o caderno do aluno da página 10 a 19.


Prof. Manoelito

O TRABALHO COMO MEDIAÇÃO


O objetivo deste tema é discutir o trabalho como mediação entre o ser humano e a natureza. “O trabalho na Antiguidade estava associado a esforço físico, cansaço e penalização. A origem da palavra, no latim vulgar, associa trabalho/tripalium a um instrumento de tortura feito de três varas cruzadas ao qual os réus eram presos. O trabalho representava uma atividade indigna, reservada aos escravos. Aos que viviam livremente, a subsistência vinha da coleta de frutos, da caça e outras atividades; o tempo do trabalho era o da natureza – dia ou noite, com sol ou chuva. [...] Na era moderna, o trabalho teve o seu significado transformado, passou de atividade desprezada à condição de expressão da própria humanidade, fonte de produtividade e riqueza. Com as mudanças sociais, econômicas, políticas e culturais, no século XX, a ideia do trabalho firmou-se como uma atividade valorizada”.
O que é trabalho? Na civilização ocidental, a percepção de que o trabalho é algo que traz sofrimento é reforçada por outras ideias influenciadas pelas tradições greco-romana e judaico-cristã.  Para os gregos, de uma forma geral, o trabalho era visto como algo que “embrutecia os espíritos” e tornava o ser humano incapaz da prática da virtude; era um mal que a elite deveria evitar. Por isso, era executado por escravos, ficando a cargo dos cidadãos as atividades mais nobres, como a política. No cristianismo, o episódio bíblico da expulsão de Adão e Eva do Paraíso, como consequência do pecado original, condenando-os ao trabalho, a ganhar o “pão com o suor do rosto”, ampliou a conotação negativa do trabalho. Assim, ele apresenta, em nossa sociedade, também os sentidos de fadiga, luta, dificuldade e punição.
Trabalho: conjunto de atividades, produtivas ou criativas, que o homem exerce para atingir determinado fim. Essa definição enfatiza que o trabalho é uma atividade humana, ou seja, só os seres humanos trabalham. Você conhece outros seres vivos que também empregam suas forças e faculdades para conseguir um objetivo? Alguns animais também trabalham: as aranhas tecem teias, as abelhas constroem as colmeias, as formigas constroem os formigueiros etc. Vocês conhecem a fábula “A cigarra e a formiga”. Existem várias versões dessa fábula, mas a sinopse pode ser uma só: a história da cigarra que só queria cantar e se divertir e da formiga que só trabalhava. Um dia, elas se encontram e a cigarra questiona o porquê de a formiga trabalhar. Esta responde que precisava trabalhar naquele momento para ter alimento no inverno. Como era verão, a cigarra riu da formiga e replicou que o inverno estava longe demais para que ela se preocupasse. Passados alguns meses, chegou o inverno e a cigarra quase morreu de frio e fome. Quando estava com pouca força, bateu à porta da formiga e pediu ajuda. Esta a ajudou, mas lembrou-lhe da importância de trabalhar e poupar.
Alguns animais são vistos, pelo senso comum, como animais trabalhadores. Mas, na perspectiva sociológica, os animais não trabalham, só o ser humano trabalha. O trabalho é visto como uma atividade que ajuda o ser humano a construir a sua condição humana. Para esclarecer a questão do trabalho como atividade do ser humano, recorreremos aos textos I e II de  Karl Marx.
Karl Marx nasceu na Alemanha, em 1818. Considerado um dos maiores filósofos alemães, realizou estudos importantes também para a Economia e a Sociologia. Tendo como base a dialética1, desenvolveu o  método que permite a explicação da história das sociedades humanas a partir das relações sociais de produção. Radical tanto na teoria como na militância, participou ativamente de diversas organizações operárias clandestinas, tendo sido expulso de alguns países. Exilado na Inglaterra, passou por muitas dificuldades financeiras, sendo socorrido por amigos, como Friedrich  Engels. Morreu em Londres, em 1883. 1 Dialética é o método de explicação da realidade que tem por base o princípio lógico da contradição, ou seja, a contraposição de ideias ou situações que leva a uma nova ideia ou situação.
TEXTO 1 O conceito é ambíguo e disputado, indicando diferentes atividades em diferentes sociedades e contextos históricos. Em seu sentido mais amplo, trabalho é o esforço humano dotado de um propósito e envolve a transformação da natureza através do dispêndio de capacidades mentais e físicas. Tal interpretação, contudo, conflita com o significado e a experiência mais limitados do trabalho nas atuais sociedades capitalistas. Para milhões de pessoas trabalho é sinônimo de emprego remunerado, e muitas atividades que se qualificariam como trabalho na definição mais ampla são descritas e vivenciadas como ocupações em horas de lazer, como algo que não significa verdadeiramente trabalho. OUTHWAITE, William; BOTTOMORE, Tom. Dicionário do pensamento social do século XX.  Rio de Janeiro: Zahar, 1996. p. 773.
TEXTO 2 Uma aranha executa operações que se assemelham às de um tecelão, e a abelha, na construção de suas colmeias, deixa envergonhado mais de um arquiteto. Mas o que distingue o pior arquiteto da melhor das abelhas é isso: o arquiteto projeta sua obra antes de construí-la na realidade. No final de todo processo de trabalho, temos um resultado que já existia na imaginação do trabalhador desde o seu começo. MARX, Karl. Capital – A Critique of Political Economy. The labour-process and the process of producing surplus-value.  Vol. 1, Part III, Section 1, cap. VII. Tradução Heloísa Helena Teixeira de Souza Martins. Disponível em: <http://www. marxists. org/archive/marx/works/1867-c1/index.htm>.  Acesso em: 3 dez. 2013.
O trabalho humano distingue-se do trabalho animal, pois o homem planeja antes de executar uma atividade. Ele concebe o trabalho antes de executá-lo. Já os outros animais não possuem essa capacidade. Eles “trabalham” de forma instintiva. Na verdade, é equivocado usar o termo trabalho para se referir às atividades realizadas pelos outros animais. Estes executam tarefas guiados pelo instinto. A abelha faz o mel e constrói a colmeia instintivamente. Por isso, todas as colmeias de uma mesma espécie de abelha seguem a mesma configuração. A formiga também constrói instintivamente os formigueiros, e, por isso, eles seguem a mesma estrutura. O mesmo processo ocorre com o joão-de-barro e sua casa.
Os animais só mudam sua maneira de agir quando ocorre alguma alteração no meio, o que os leva a se adaptar, mas eles não mudam suas atitudes intencionalmente. Só o ser humano tem essa capacidade, as outras espécies, não. Com o objetivo de conseguir os meios que garantam a sua sobrevivência, o ser humano age sobre a natureza, transformando-a. Ele se apropria dos materiais existentes na natureza e cria objetos, inventa coisas e se relaciona com outros seres humanos por meio do trabalho. Desse modo, o trabalho é uma atividade de mediação entre o ser humano e a natureza.
O ser humano emerge gradualmente, desenvolve-se e adquire a sua humanidade no exercício de sua atividade, de seu trabalho, da sua produção social. Nesse sentido, pode-se dizer que, ao trabalhar, o ser humano se constrói como ser humano, pois ele age de forma deliberada e consciente sobre a natureza. É por isso que o trabalho é visto como uma atividade que ajuda o ser humano a construir sua condição humana.
Como o conceito de trabalho é ambíguo, pode ter diferentes significados. Para muitas pessoas, trabalho é sinônimo de emprego, como se só trabalhasse quem tem emprego.
Distinção entre trabalho e emprego. O trabalho sempre existiu, sob diferentes formas, ao longo da história da humanidade, já que é toda a atividade humana que envolve a transformação da natureza para atingir um fim. Entretanto, emprego é uma relação social de trabalho muito recente, que surge a partir do momento em que o ser humano deixa de ser escravo ou servo e se transforma em um ser humano livre. Livre para vender o seu trabalho e estabelecer um contrato com um comprador, em troca de um salário que lhe permita adquirir os meios de vida necessários à sua sobrevivência. Emprego pressupõe trabalho assalariado – portanto, ele é algo característico da sociedade capitalista.
“O trabalho livre sucedeu historicamente a outras formas de trabalho, como a escravidão e a servidão. Na Grécia Antiga, o trabalho era uma atividade exercida pelos escravos. Na Idade Média, as pessoas trabalhavam nos campos, ligadas a um senhor feudal, ou moravam nos burgos e eram artesãos. Em todos esses momentos da história, as pessoas executavam algum trabalho, mas não tinham emprego. O emprego só se disseminou com o capitalismo, quando o trabalhador passou a vender a sua força de trabalho (física ou mental) em troca de um salário. Ao conseguir o emprego, o trabalhador assina um contrato de trabalho que especifica suas funções. Ao contrário do que ocorria na Antiguidade, em que os escravos eram uma propriedade, e na Idade Média, em que os trabalhadores eram servos presos à terra do senhor feudal, no capitalismo os trabalhadores são “livres” para procurar outras condições de trabalho em um novo emprego”.
A liberdade no capitalismo para muitos dos trabalhadores é relativa, uma vez que a maioria não pode escolher a quem, quando e, muitas vezes, onde procurar emprego. Mas o significado mais importante do trabalho livre ou da liberdade do trabalhador é dado pelo fato de que, com o esfacelamento do sistema feudal de produção, o servo libertou-se das amarras que o prendiam ao senhor feudal, mas perdeu o acesso aos meios de produção (terra, matéria-prima, instrumentos de trabalho). Então, passou a dispor de uma única propriedade: a sua força de trabalho.
Questões:
1.       Explique origem da palavra trabalho e a que estava associado.
2.       Como o trabalho era visto, para os gregos?
3.       Qual definição enfatiza que o trabalho é uma atividade humana, ou seja, só os seres humanos trabalham.
4.       Explique trabalho em seu sentido mais amplo, trabalho.
5.       O que distingue o pior arquiteto da melhor das abelhas, segundo Karl Marx?
6.       Por que, o trabalho humano distingue do trabalho animal?
7.       Por que o trabalho é uma atividade de mediação entre o ser humano e a natureza?
8.       Qual a diferença entre trabalho e emprego?                                                                   

Prof. Manoelito

O ENVELHECIMENTO NA S0CIEDADE C0NTEMP0RANEA


O objetivo é provocar uma reflexão sobre como as políticas públicas podem contribuir para diminuir as diferentes situações de violência que ferem o princípio de dignidade humana. É fato que a eficácia de determinadas políticas públicas pode ser contestada pelas condições adversas que encontramos em nosso cotidiano, nas diversas situações de flagrante desrespeito ao princípio de dignidade humana, muitas vezes gerada pelos poderes instituídos ou, então, quando o poder público deixa de intervir. Contudo, não podemos negar alguns avanços no âmbito de políticas que visam propiciar um tratamento mais adequado à população. Nesse contexto, podemos pensar no processo de envelhecimento da população e em como as pessoas que envelhecem sofrem com a falta de recursos e tratamentos adequados à sua condição. Mas não podemos nos esquecer das ações, que mesmo tímidas e ainda insuficientes, permitem de certa maneira superar situações que contrariam a perspectiva de um envelhecimento digno. Nesse sentido, vamos pensar sobre o envelhecimento, a forma como temos lidado com a condição da velhice e como as políticas públicas podem promover uma relação mais digna com essa fase da vida.
Velhice e humilhação social. "A humilhação é uma modalidade de angústia que se dispara a partir do enigma da desigualdade de classes. Angústia que os pobres conhecem bem e que, entre eles, inscreve-se no núcleo de sua submissão. Os pobres sofrem frequentemente o impacto dos maus-tratos. Psicologicamente, sofrem continuamente o impacto de uma mensagem estranha, misteriosa: 'vocês são inferiores'. E o que é profundamente grave: a mensagem passa a ser esperada, mesmo nas circunstâncias em que, para nós observadores externos, não pareceria razoável esperá-la. Para os pobres, a humilhação ou é uma realidade em ato ou é frequentemente sentida como uma realidade iminente, sempre a espreitar-lhes, onde quer que estejam, com quem quer que estejam. O sentimento de não possuírem direitos, de parecerem desprezíveis e repugnantes, torna-se-lhes compulsivo: movem-se e falam, quando falam, como seres que ninguém vê."
Simone de Beauvoir procurou refletir sobre a exclusão dos idosos em sua sociedade, mas do ponto de vista de quem sabia que iria se tornar um deles, como quem pensava o próprio destino. Para ela, um dos problemas da sociedade capitalista está no fato de que cada indivíduo percebe as outras pessoas como meio para a realização de suas necessidades; proteção, riqueza, prazer, dominação, pouco compreendendo e valorizando as necessidades alheias. Esse processo aparece com nitidez em nossa relação com os idosos. Em seu livro, a pensadora demonstra que há uma duplicidade nas relações que os mais jovens têm com os idosos, uma vez que, na maioria das vezes, mesmo sendo respeitado por sua condição de pai ou de mãe, trata-se o idoso como uma espécie de ser inferior, tirando dele suas responsabilidades ou encarando-o como culpado por sobrecarga de compromissos que imputa a filhos ou netos.
Mesmo em situações de proteção ao idoso, pode-se ter processos de humilhação quando, sem a devida atenção sobre as reais condições que apresentam para resolver com autonomia seus problemas, os mais jovens passam a subestimá-los, assumindo tarefas em seu lugar. Quando não se respeita uma pessoa em sua integridade emocional, intelectual e material, ela é excluída da sociedade pelos governos, pelas instituições, pelas famílias, pelas pessoas em geral. E os que mais sofrem com isso são as crianças e os idosos.
Em vários lugares, como bancos e supermercados, há caixas preferenciais para idosos, mas, mesmo que essa iniciativa seja suficiente para proporcionar a rapidez no atendimento, será que é também suficiente para garantir segurança, conforto e atenção. Outro exemplo é a gratuidade no transporte coletivo, mas quem viaja de Ônibus sabe que, muitas vezes, suas condições não são adequadas para transportar quem tem um corpo frágil. Além do desamparo quanto às condições materiais, a desconsideração para com opiniões e emoções dos idosos também deve ser analisada para a superação das condições de humilhação sofrida por eles em nossa sociedade.
No texto A velhice, Simone de Beauvoir escreveu que o idoso é uma espécie de objeto incômodo, inútil, e quase tudo que se deseja é poder tratá-lo como quantia desprezível.
O que vocês pensam ser correto no que se refere ao tratamento ao idoso e sobre qual é o tratamento que efetivamente dispensamos ao idoso em nosso cotidiano, seja no ambiente familiar ou nos locais públicos. Será que o nosso discurso é compatível com as nossas ações É possível que, mesmo adotando um discurso de respeito ao idoso, acabamos no dia a dia desrespeitando o direito preferencial nas filas, nos meios de transporte, ou mesmo tratando a condição da pessoa idosa como uma situação depreciativa, quando nas conversas usamos os termos “velho” ou “velha” como forma de desvalorizar e menosprezar.
A importância das políticas públicas para a consolidação da democracia. O idoso é ser humano, portanto, é cidadão, merecedor de direitos sociais. Contudo, foi necessária a elaboração de um documento que detalhasse sua condição de cidadão com direitos assegurados – o Estatuto do Idoso –, já que, historicamente, não os temos tratado com a devida dignidade.
O Estatuto do Idoso é um marco na construção de uma política pública voltada para as pessoas que envelhecem, ou seja, que têm suas vidas modificadas pela passagem dos anos. Segundo Márcia Cristina de Oliveira, documentos como o Estatuto do Idoso marcam um processo de qualificação da nossa democracia, pois promovem a ampliação dos direitos e permitem o crescente reconhecimento por parte da sociedade de que as diferenças e as especificidades dos diversos grupos sociais devem ser reconhecidas e respeitadas. Os direitos pronunciados no Estatuto, no entanto, só podem se converter em realidade na medida em que conhecemos este documento, reconhecemos seu significado e sua importância e o colocamos em prática.
Envelhecer com dignidade. Podemos afirmar, portanto, que já possuímos um conjunto de estudos, leis e instituições capazes de imprimir a mudança necessária em nossas sociedades naquilo que tange a compreensão do que seja viver e conviver em contextos nos quais ser idoso/envelhecer não pode significar abandono, doença, pobreza. Envelhecer não pode significar perda de direitos, mas a incondicional reafirmação dos mesmos.
Perfil da população idosa no Brasil. Ao analisar os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio 2011 (Pnad/IBGE), a Secretaria de Políticas de Previdência Social constatou que 82,1% dos idosos brasileiros estão protegidos pela Previdência Social brasileira contra 81,73% em 2009. Isso representa 19,3 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, cerca de 1,6 milhões a mais do que o registrado na Última Pnad. No caso dos homens dessa faixa etária, a proteção chega a 86,7% (9,01 milhões) e para as mulheres idosas, o percentual de cobertura chega a 78,6% (10,3 milhões). A maior parte dos idosos protegidos recebia aposentadoria, grupo em que preponderavam os homens. 0s homens também eram maioria entre os não beneficiários que contribuíam para a Previdência Social, fato explicado, principalmente, por se depararem com requisitos mais elevados de idade e tempo de contribuição para o requerimento de aposentadorias.
Dentre os pensionistas e beneficiários que acumulavam pensão e aposentadoria, prevaleciam as mulheres, que em média possuem expectativa de vida mais elevada e tendem a mais frequentemente usufruir de pensões deixadas por seus cônjuges. Linha da pobreza- O impacto das transferências previdenciárias sobre a pobreza se concentra na população idosa, tendo em vista o foco da Previdência Social na garantia de renda para o trabalhador em idade avançada. Muito embora a redução da pobreza decorrente da expansão da Previdência seja percebida em todas as faixas etárias, a renda previdenciária favorece, sobretudo, aqueles com idade superior aos 55 anos – a partir dessa idade nota-se uma significativa expansão da diferença entre o percentual de pobres com e sem as transferências previdenciárias. Portanto, a pobreza diminui com o aumento da idade, chegando ao limite inferior de 10% para a população com 70 anos de idade ou mais. Caso as transferências previdenciárias deixassem de ser realizadas, haveria um ponto a partir do qual a pobreza voltaria a aumentar, chegando a quase 70% para a população com idade acima de 70 anos. O estudo também revela que o pagamento de benefícios previdenciários impediu que 23.708.229 de brasileiros, de todas as faixas etárias, ficassem abaixo da linha da pobreza. Sem os repasses da Previdência Social a quantidade de pobres seria de 74,97 milhões de indivíduos – redução de 12,8 pontos percentuais na taxa de pobreza. Considerando como condição de pobreza o rendimento domiciliar per capita inferior a meio salário mínimo, estima-se em 51,26 milhões a quantidade de pessoas em condição de pobreza em 2011 (considerando rendas de todas as fontes). Caso não houvesse esse mecanismo de proteção social, o percentual de pessoas pobres, aos 50 anos, chegaria a 30% e, no caso de brasileiros com 70 anos de idade, superaria a 65%. Com base nos dados, verifica-se que o sistema previdenciário brasileiro consegue fazer com que a taxa de pobreza entre os idosos seja cerca de três vezes inferior à taxa média da população. 0s segurados com 70 anos ou mais, por exemplo, estão abaixo de 10% da linha de pobreza estimada. [...].
Questões:
1.       O que é humilhação?
2.       Qual o problema da sociedade capitalista, segundo Simone de Beauvoir?
3.       O que Simone de Beauvoir escreveu no texto A velhice?
4.       O que disse Márcia Cristina de Oliveira, sobre o Estatuto do Idoso?
5.       Sobre envelhecer com dignidade, o que podemos afirmar?
6.       O que constatou uma Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio 2011 (Pnad/IBGE), a Secretaria de Políticas de Previdência Social?
7.       Responder o caderno do aluno da página 05 a 10.

Prof. Manoelito

Filosofia - O ESTADO, OS PODERES E AS LEIS


O objetivo deste tema é levá-los a refletir sobre os três poderes e a importância de se estabelecerem leis e garantir o seu cumprimento. Para isso, iniciaremos a discussão abordando os mecanismos sociais destinados a controlar os governantes, a partir da questão: Como fazer o controle?
As leis: As leis Muitos filósofos já refletiram sobre a origem da política. Por exemplo, alguns consideravam que havia um estado de guerra universal, em que todos lutavam contra todos, instintiva e racionalmente (Thomas Hobbes e John Locke), e, a partir disso, os homens fizeram um pacto e elegeram um soberano (monarquia) ou uma assembleia (aristocracia) para defender a manutenção desse contrato social. Diferentemente de autores como Hobbes e Locke, Montesquieu preferiu pensar a vida política inspirado na Ciência, mais especificamente, na análise empírica. Para ele, não havia uma lei universal, a não ser a razão, por meio da qual cada povo cria leis e normas, segundo as suas necessidades.
Em geral, ao longo da história, os povos estabeleceram três tipos de governo: o republicano, o monárquico e o despótico. Os governos se diferenciam em sua concepção, segundo a distribuição de poder ou soberania. O poder soberano, em uma república, é dividido entre todos, ou entre uma parte da sociedade. Nas monarquias, o poder está concentrado em uma única pessoa, que obedece a leis imutáveis. Sob o despotismo, o poder soberano está em uma só pessoa, que obedece apenas à sua própria vontade. Cada um desses modelos de governo traz um princípio ético que lhe é essencial. Como é preciso escolher os representantes, em uma república, o fundamental é a virtude, isto é, quanto mais qualidades, melhor. Em uma monarquia, é necessária a honra do monarca. O medo, por sua vez, constitui o princípio do despotismo; sem provocá-lo, não há como governar. Observe o quadro:
Tipos de governo
A quem pertence a soberania
Princípio

Republicano
O poder soberano é dividido entre todos, ou entre uma parte da sociedade
Virtude
Monárquico
O poder soberano está em uma só pessoa, que obedece a leis imutáveis.
Honra

Despótico
O poder soberano está em uma só pessoa, que obedece apenas à sua própria vontade
Medo

No governo republicano, a virtude é fundamental, uma vez que ela elimina a corrupção proveniente das ambições pessoais. Sem a virtude, os que estão no poder retirarão do Estado todos os benefícios possíveis para si, e assim o deixarão incapaz de cumprir sua missão de dar uma vida digna aos cidadãos. O benefício usurpado pelas autoridades significa menos saúde, menos educação e menos justiça para as pessoas mais pobres. Por isso, é fundamental que as autoridades sejam escolhidas por suas capacidades e pela vontade de cuidar do Estado, para que o Estado assuma responsabilidades por meio de políticas públicas capazes de cuidar das pessoas. Isso não significa a aparência de virtude, mas a virtude provada historicamente. Além das formas de governo no Estado, há três poderes, segundo Montesquieu: o poder de legislar, o poder de executar e o poder de julgar. Em cada sociedade, esses três poderes são destinados a determinadas pessoas: no caso de um governo monárquico, cabe ao rei julgar e executar e ao parlamento, legislar; quando se trata de um governo despótico, os três poderes estão concentrados nas mãos do tirano; em um governo republicano, cabe à aristocracia ou ao povo dividir os poderes e eleger a quem será atribuído cada um deles.
A separação dos poderes: No Brasil, que é uma república, também temos o poder de executar, o poder de julgar e o poder de legislar, tal como proposto por Montesquieu. Em nossa sociedade, os três poderes (Executivo, Judiciário e Legislativo) são distribuídos da seguinte forma:
Poder Executivo
Presidência da República, governos de Estados e prefeituras.
Poder Judiciário
Tribunais de Justiça
Poder Legislativo
Senado Federal, Câmara dos Deputados (federal), Assembleia Legislativa (estadual) e Câmara dos Vereadores (municipal).

Em âmbito federal, os Três Poderes se relacionam sob o grande contrato ou pacto brasileiro que é a Constituição.
Para Montesquieu, não há como manter a liberdade sem as leis e um governo. Alguém tem de se diferenciar pela autoridade, o que, segundo o pensador, era atributo dos magistrados, senadores, juízes, pais, maridos e proprietários de terras. Mas é a lei que deve regular esses poderes. Lei e liberdade são fundamentais para que as pessoas vivam bem. Também, ao contrário de Hobbes, que pensava o soberano acima de tudo, Montesquieu compreendia que ninguém pode estar acima da lei.
Questões:
1.      Como os filósofos citados no texto, pensaram a origem da política?
2.      Em geral, ao longo da história, os povos estabeleceram três tipos de governo. Explique cada um deles.
3.      Como é a separação dos poderes no Brasil?
4.      Por que, para Montesquieu, não há como manter a liberdade sem as leis e um governo?
5.      Após ler os textos no caderno do aluno, respondam as seguintes questões: Quais são as atribuições da presidência da república?
6.      Quais são os requisitos necessários para concorrer ao cargo de presidente da república?
7.      Explique como é composto o Supremo Tribunal Federal e quais as principais atribuições do presidente.
8.      Qual o papel da câmara dos deputados e como ela se compõe?
9.      Como nascem as leis? Explique.
10.  Por que, segundo Montesquieu, o verdadeiro espírito de igualdade está tão distante do espírito de extrema igualdade quanto o céu está distante da terra?
11.  Explique o homem no estado de natureza, segundo Montesquieu.
12.  Explique a liberdade, segundo Montesquieu.
13.  Responder o caderno do aluno da página 15 a 23.


Prof. Manoelito

Filosofia O ESTADO

O ESTADO
O objetivo deste tema é introduzir o debate sobre a noção de Estado, a importância e a presença do Estado na vida cotidiana. Veremos também a concepção organicista de Estado, que será abordada por meio de uma reflexão sobre Platão, de onde seguiremos para a etapa final, que tratará da obra Leviatã, de Thomas Hobbes, e da noção contratualista de Estado.
O PENSAMENTO POLÍTICO DE PLATÃO
Platão, discípulo do mestre Sócrates, sofreu profunda sequelas com a condenação do mestre pela sociedade democrática ateniense. A condenação de Sócrates fez Platão colocar em cheque o regime democrático. Platão precisava encontrar uma solução melhor para os problemas sociais do seu contexto, melhor do que a vigente. Afinal, Platão pensava:''que sociedade é essa que condena o seu filho mais nobre, apenas por questionar a sociedade?  Todo o projeto político platônico foi traçado a partir da convicção de que a Cidade-Estado ideal deveria ser obrigatoriamente governada por alguém dotado de uma rigorosa formação filosófica.
Platão desenvolve uma concepção organicista de Estado. Em A República, seu mais famoso livro, explica que o indivíduo possui uma alma com três partes. Platão acreditava que existiam três espécies de virtudes baseadas na alma, que corresponderiam às bases da polis: A primeira virtude era a da sabedoria, deveria ser a cabeça do Estado, o governante, pois utiliza a razão. A segunda espécie de virtude é a coragem, deveria ser o peito do Estado, isto é, os soldados ou guardiães da polis, pois, sua alma é imbuída de vontade. A terceira virtude, a temperança, que deveria ser o baixo-ventre do Estado, ou os trabalhadores, pois sua alma orienta-se pelo desejo das coisas sensíveis.
O homem para Platão era dividido em corpo e alma. O corpo era a matéria e a alma era o imaterial e o divino que o homem possuía. Enquanto o corpo está em constante mudança de aparência, a alma não muda nunca. Desde quando nascemos, temos a alma perfeita, porém não sabemos. As verdades essenciais estão inscritas na alma eternamente, porém, ao nascermos, nós as esquecemos, pois, a alma é aprisionada no corpo.
Para Platão a alma é dividida em três partes:
· Racional: cabeça; esta tem que comandar as outras duas partes. Sua virtude é a sabedoria ou prudência.
· Irascível: tórax; parte da força, dos sentimentos. Sua virtude é a coragem.
· Concupiscente: baixo ventre; apetite, desejo, mesmo carnal (sexual), ligado ao libido. Sua virtude é a moderação ou temperança.
Platão propôs na República o plano de uma sociedade dividida em três classes principais correspondentes às funções da alma: o elemento apetitoso, o elemento corajoso e o elemento racional.
A primeira classe seria representada pelo elemento apetitoso, formada pela classe mais baixa composta por lavradores, comerciantes, navegantes e artesãos.
A função dessa classe seria a produção e a distribuição dos bens materiais para a manutenção da vida na cidade. Essa classe poderia possuir bens particulares e construir famílias.
A segunda classe, formada pelo elemento coragem seria composta pelos soldados ou militares. Sua missão seria a proteção da cidade. A essa classe deveria dar uma educação especial, e dela, sairiam por um processo de seleção, os membros da terceira classe, destinados a exercer as funções de governo.
A terceira classe compreenderia o elemento racional, e seria composta por uma aristocracia que, devido a sua aptidão para a filosofia, exerceriam as funções do governo. Essa classe teria a missão de legislar, velar pelo cumprimento das leis, organizar a educação e administrar a cidade. Seus membros deveriam ser prudentes e sábios, deveriam ser filósofos.
De cada uma dessas classes esperava-se a realização das tarefas para as quais tinha maior aptidão. A cidade seria um grande todo integrada por indivíduos com atividades e interesses muito distintos, mas com um funcionamento ordenadamente e harmônico.

O PENSAMENTO POLÍTICO DE HOBBES
No estado de natureza, segundo Hobbes, os homens podem todas as coisas e, para tanto, utilizam-se de todos os meios para atingi-las. Conforme esse autor, os homens são maus por natureza (o homem é o lobo do próprio homem), pois possuem um poder de violência ilimitado.
Um homem só se impõe a outro homem pela força; a posse de algum objeto não pode ser dividida ou compartilhada. Num primeiro momento, quando se dá a disputa, a competição e a obtenção de algum bem, a força é usada para conquistar. Não sendo suficiente, já que nada lhe garante assegurar o bom usufruto do bem, o conquistador utiliza-se da força para manter este bem (recorre à violência em prol da segurança desse bem).
Em decorrência desse bom uso das faculdades naturais (para a conquista de algum bem é feito o bom uso da razão, da paixão, da experiência e da força física), forma-se uma reputação que nada mais é do que ver expresso pelos outros, aquele reconhecimento valorativo que se autoconfere (vanglória). Esse reconhecimento é também causa da discórdia, porque nenhum homem se vê inferior aos outros e, por isso, impõe-se violentamente sobre os outros como superior.
Assim, e por causa da pouca diferença física ou intelectual entre os homens no estado natural, Hobbes percebe que nessa condição tudo é possível, já que não há regras que impeçam os homens de tomar o que é de outrem, nem que os impeçam de infligir sofrimento ao outro. Todo homem é potencialmente uma ameaça a outro homem e esta é aceita passiva ou ativamente. As paixões são subjetivas e inumeráveis, mas todas tendem a um fim máximo: a preservação da vida e a supressão da dor. Isso permite um convívio com os outros numa relação de ajuda mútua para a manutenção desse fim. Mas ainda assim há outras relações que têm fins diferentes. Mesmo promovendo uma regulação que mantenha o respeito e a ordem, cabe decidir quem promoverá essa regulação. Essa disputa que transcende o indivíduo e engloba grupos de indivíduos, e que também vê nessa dominação uma defesa contra a dominação de outrem, é o que caracteriza a sociedade civil. Aqui há um direcionamento do poder de violência de cada um para um corpo representativo que vai utilizá-lo para a manutenção do princípio de preservação e paz.
Vê-se, então, que o convívio não é de boa vontade, nem é agradável, mas sim convencional, aceitável e tolerável, em que os homens se abrigam, fugindo daquele estado de guerra generalizada de todos contra todos, evidenciando a necessidade de criação do Estado, a partir de um contrato social que visa a abdicação do poder ilimitado de cada um e um redirecionamento desse poder (poder de polícia) para a manutenção da ordem e da estabilidade.
Portanto, para Hobbes, a liberdade absoluta e a evidência da potência das faculdades naturais do homem desencadeiam essa desconfiança recíproca e contínua, gerando medo, o que justificaria a criação de um artifício para solucionar as desordens internas de uma sociedade. O grande Leviatã, o Estado, é esse artifício humano capaz de sanar essas desordens. É assim também que entendemos a criação de leis. O que se denomina juspositivismo nada mais é do que a compreensão de que a lei natural deve ser abolida, suprimida pela ordem convencional, artificial, inventada pelos homens tendo em vista um bem comum que é a preservação da vida.
1.      Responder o caderno do aluno da página 05 a  14

Prof. Manoelito